domingo, 3 de fevereiro de 2008

Vizinhança

Maconha. Toda vez que passo pelo 101 e sinto esse cheiro forte de um milhão de incensos misturados já posso adivinhar. O vizinho do apartamento em frente tá pegando a mulher na porta, será que não vê que o vidro é quase transparente? Vai ver que viram sim; quase começo a rir, e subo as escadas mais depressa. Da casa dos irmãos vem o som irritante do violino e um cheiro bom de pão. O cheiro, aliás, pode estar vindo do saco de papel que trago da padaria. Saco de pão, mochila, bolsa e livro nas mãos, como vou achar a chave? Passo antes pela porta aberta do meu vizinho de frente, no terceiro andar. A porta entreaberta deixa ver um ambiente que me parece marrom e um ar de museu, brrr.

Abro minha porta: cadeira cheia de livros; mais cadeira e mais livros. A bagunça da mudança recente, ou não tão recente, mas a bagunça da falta de tempo de desfazer a mudança. O computador, cadernos, mala de roupa, papéis sobre a cama; o abajur aceso desde a semana passada, quando saí. Me estiro na cama, tiro os tênis com os pés. Lá de baixo vem as risadinhas dos vizinhos da porta de vidro e o violino da irmã. Lamento a sorte dos que vão escutá-la na igreja. Alguém cozinha feijão, e o cheiro entra vindo do corredor. Carros correm lá embaixo, e vão se afastando a medida que o sono vem...

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

The Silver Surfer

Antes de mais nada quero avisar aos senhores que eu, que normalmente não entendo nada de nada, entendo menos ainda de quadrinhos. Mas conversando com um colega essa semana, percebi que não estou só no ramo do “amante desinformado”, e que é até bacana conversar com quem sabe tão pouco quanto a gente, porque enquanto se googla a informação (que ele não me leia...), vai se fixando coisas que normalmente demoraria um tempo mais pra se reter no cérebro.
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O lance é que, fora os Groo da infância, a Turma da Mônica, e umas tiras do Quino, Laerte, Angeli, Glauco, Dik Browne, Bill Watterson, Henfil e Schulz da vida, eu até hoje não consegui passar de meia dúzia de X-Men, uns Batman, algumas coisas do Milo Manara e volta e meia um Alan Moore ou um Frank Miller.
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Mas no ano de 2007 me aparecem algumas histórias do Sin City, aí eu engatei no V for Vendetta e fui catando umas graphic novels por aí e por acaso fomos parar –eu, Zélia e Marcos - no Festival Jodorowsky do CCBB.

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Touchè! Acabei percebendo que a minha ignorância no assunto é maior do que eu pensava, e quiçá infinita.
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Mas uma luta não travada é uma luta perdida! E em meu socorro eis que surgem Marcos Lima e seu super O Surfista Prateado, do Stan Lee. Arte, quadrinho, filosofia e cérebro em 40 e poucas páginas.

And here we go ;-)
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Em tempo:
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Música: 16 toneladas, a original e com o Funk Como Le Gusta .

sábado, 5 de janeiro de 2008

Cantoria 1 e 2

"Só é cantador quem traz no peito o cheiro e
a cor de sua terra, a marca de sangue de seus mortos e a certeza de luta de seus
vivos..."
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Cresci ouvindo Geraldo Azevedo e Elomar, e com esses discos a admiração por eles só cresceu. O mesmo se pode falar de Xangai e Vital Farias (que me fez conhecer, por engano, Vital Lima -belenense parceiro de Nilson Chaves).


Gravados em 1984 (Cantoria 1) e 1986 (Cantoria 2), esses dois discos são o que há de melhor da viola nas vozes dos mais expressivos cantadores do país. E tudo regado a pinga com mel ;-)


Detalhe especial para a voz de uma criatura que canta divinamente, o músico goiano Francisco Aafa (Arrumação -faixa 06, Cantoria 2).


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e




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Pra quem quer mais, tem o orkut.


2007 Revisitado

1° filme do ano (04/01/2007): Ganga Zumba (Cacá Diegues, 1963)

Com Cartola e Dona Zica no elenco :o

Como de praxe, eu e D. Zélia no cinema logo no início do ano =P

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1ª música do ano:

Geralmente não dá pra lembrar qual a primeira música ouvida no ano, e pode parecer meio sandice querer lembrar. Mas com 43 minutos e meio marromeno, Thick as a Brick (do Jethro Tull) é quase um trauma =P
Talvez antes eu nunca a tenha escutado inteira, de uma só vez (I’m a bad dream that I juuuust haaaaave todaaaay). Vale lembrar que o feito que foi repetido algumas vezes ao longo do ano.

Gravada em 1971 ou 1972, a letra é baseado num poema escrito por um garoto fake, o Little Milton. A capa do disco –um tablóide com 12 páginas- foi totalmente desconfigurada pra virar CD, e eu ainda sonho em encontrar o LP numa loja de discos por aí...

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1ª lista do ano

Quem foi criado à base de Literatura, Música, Cinema e Baré sabor tutti-frutti nunca se furta a listas... e nunca foge ao clichê! Não literalmente a primeira feita, mas a mais antiga documentada e datada de 2007 foi a seguinte:

Pares Perfeitos:

queijo & goiabada

livro & café

café & leite

pão & manteiga

cássia eller & nando reis

lennon & mccartney

tom & vinícius

marx & engels

rede & violão

chuva & sono

filme & vinho

che & fidel

simone & sartre

marcelo camelo & rodrigo amarante

joão & maria

all star & calça jeans

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Melhor site:

Que orkut que nada... melhor do ano mesmo foi o André Dhamer e suas malvadezas.

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Aquisições do ano:

Uma gaita. Já já cês vão ver meu nome na agenda cultura da cidade =P

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Melhor show:

Satolep Sambatown foi o melhor disco inédito de 2007, o que valeu três shows (no último tivemos a honra de ver o bis boicotado pelos próprios organizadores do evento) e noites virando a net atrás do disco... Mais uma prova da genialiadade lírica (Vitor Ramil) e técnica (Marcos Suzano) dos músicos.

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Melhor disco não-inédito:

Layla and Other Assorted Love Songs, do Derek and the Dominoes (1970). Sempre, sempre e sempre o melhor –e talvez menos conhecido- disco de blues rock de todos! Foi nesse disco que Layla foi lançada, numa versão de estúdio infinitamente superior à versão acústica que fez sucesso.

Chamando a atenção para ‘Bell Bottom Blues’ (a melhor música de coração partido, ou de dor-de-cotovelo, do mundo), ‘Key to the Highway’ (virtuosismo acima de tudo!), ‘Layla’ (feita para a ex-senhora Harrison e ex-senhora Clapton) e a versão do Derek para ‘Little Wing’, do Jimi Hendrix.

;-)

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Melhores filmes reassistidos:

Quando - e se – eu morrer quero passar a eternidade assistindo:

EL LABERINTO DEL FAUNO (GUILLERMO DEL TORO)

Umberto D (Vittorio de Sica)

Arroz Amargo (de Santis)

Morangos Silvestres (Bergman)

Cinema Paradiso (Tornatore)

The Blues Brothers (os dois- John Landis)

A Batalha de Argel (Pontecorvo)

Stranger Than Fiction (Marc Forster)

Acossado (Godard)

O Fantástico Mundo de Jack (Tim Burton)

Secretária (Steven Shainberg)

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Outros melhores:

Shaun of the
Death (Edgar Wright)

Histórias da Revolução (Gutierrez
Alea)

Nina (Heitor Dhalia)

Scoop (Woody Allen)

Sobre Meninos e Lobos (Clint
Eastwood)

Os
Infiltrados (Scorcese)

Paris, Je
T’aime (
aqui)

Good
Night, and Good

Luck
(George Clooney)

Desventuras em Série (Brad
Silberling
)

Brilho
Eterno de uma Mente sem Lembranças
(Michel
Gondry)

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Piores peças de teatro...

...ou: Como Jogar R$ 7,50 Fora Fácil, Fácil.

Hedda Gabler

As Gaivotas

Os Demônios

Quartett

Tirando por base de que eu devo ter ido quatro ou cinco vezes ao teatro este ano...

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Sexta à noite, um amigo, cinema e...

... 230 minutos de filme:

A Pedra do Reino (baseado no livro de Ariano Suassuna), de Luiz Fernando Carvalho.

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Autor do Ano:

Pierre Bourdieu. Eu sou uma mera seguidora.

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Autoras do Ano:

Clarice e seu impossible-to-read Perto do Coração Selvagem, e Sylvia Plath, a descoberta.


Último filme do ano (31/12/2007):

Melissa P. (Luca Guadagnino). Dicussões sobre o que é pornográfico e o que é erótico. Parafilias e pornofílicos. Vinho, batata frita e uma ótima companhia.


terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Little did he know...


O primeiro filme desse ano (01/01/2008), um “vale a pena ver de novo” do ano passado, foi uma gostosa surpresa. Stranger Than Fiction é um daqueles filmes que você vai assistir no cinema sem saber o que é e do que se trata e acaba se apaixonando. E também uma ótima forma de passar a tarde do dia primeiro de janeiro naquela preguicinha de ano novo.
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Pra quem gosta de diálogos inteligentes e comédia decente ;-)
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Mais Estranho que a Ficção (Stranger Than Fiction. EUA, 2006)
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Direção: Marc Forster (que dirigiu também Em Busca da Terra do Nunca, aquele com o Jhonny Deep).
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Elenco: Will Ferrell, sempre excelente;
Maggie Gyllenhaal (a secretária maso de Secretary);
Queen Latifah;
Emma Thompson e
Dustin Hoffman.
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113 minutos. Drama/ Comédia
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Em tempo:
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Ouvindo: Bob Dylan (o primeirão, de 1962)
(Re)ouvindo: Ventura, Los Hermanos (2003)

sábado, 22 de dezembro de 2007

Caderno II

Os três poderes são um só: o deles

Nicolas Behr

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Na hora da dor extrema a poesia é insuficiente. Abstrata, não tem um coração pulsando. O coração da poesia é sempre o nosso, que ela absorve e nos devolve em versos. Na hora da dor extrema, poetar é instinto de sobrevivência. Se você é poeta, concorda com isso? Já entregou a sua dor num poema pra aliviar seu sufoco? E aliviou?

Olympia Salete Rodrigues, Poetar pra Sobreviver.

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SOLIDÃO

Ao ouvir de tanta gente o vozerio, sinto

Que sou sozinha onde vagueio.

O mundo angra, a

rebentar de cheio e eu

Sempre o vejo para mim vazio.

A taça de veneno que esvazio

faz-me, talvez, um cego. E nesse enleio

não sei se vejo o mau no meu receio,

ou se não vejo o bom no meu fastio...

Buscando a causa dessa solidão,

-fonte de mágoas e de amargos prantos,-

cheguei à dolorosa conclusão...

É que, no tumultuar dos vendavais,

No qual ando a vagar, por entre tantos,

Faltam uns poucos que não

vejo mais

Michele Carvalho

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el amor eterno dura aproximadamente 3 meses

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não existe uma língua portuguesa,

existem línguas em português

Saramago

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Minha raiva

quase transpassa

a espessura

do teu vidro...

É mágoa.

E o que eu choro

é água com sal.

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há uma necessidade premente

d’eu ficar ausente.

uma necessidade ambulante

d’eu ficar constante.

uma necessidade vital

d’eu não morrer como

antes...

Limpando armários

Frases perdidas nos cadernos, minhas ou dos outros -creditadas ou não - resgatadas antes que eles virem papel reciclado.

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a posiblidade do futuro (não) me assusta tanto quanto a relidade presente
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Hoje é sempre ainda
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Lembro-me de quando era criança
e via, como hoje não posso ver,
o sol raiar sobre a minh janela.
Ele não raiava para mim, mas para a vida.
E eu, não sendo consciente, eu era a vida...

[Fernando Pessoa lembrado de cabeça]
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-eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças-
CDA
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Com tinta te pinto tanto
e tão bem
que nem mereces o quadro...

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“Não vira em minha vida a formosura
Ouvia falar nela a cada dia,
E ouvida me incitava e me movia
A querer ver tão bela arquitetura...

Ontem a vi, por minha desventura
Na cara, no bom ar, na galhardia
De um mulher, que em Anjo se metia,
De um Sol que se trajava em criatura.

Matem-me, disse eu, vendo abrasar-me

Se esta coisa não é, que encarecer-me

Sabia o mundo e tanto exagerar-me

Olhos meus, disse então por defender-me,

Se beleza heis de ver pra matar-me,

Antes olhos cegueis, do que perder-me.

Gregório de Mattos”

"Se a quereis conhecer, vinde comigo,

Vereis a formosura que eu adoro;

Ma não, tanto não sou vosso inimigo.

Deixai, não a vejais; eu vo-lo imploro;

Que se seguir quiserdes o que sigo,

Chorareis, ó pastores, o que eu choro

Cláudio Manuel da Costa"

"I give her all my love, that’s all I do

And if you saw my love, you’ll lover her too...

Lennon/ McCartney"

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Nasce o sol, e não dura mais que um dia...

Gregório de Mattos

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“para sempre fui ferido

pelo amor – mal e mal

posso arrastar-me”

Maiakovski

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“nada repreende melhor maior parte do homens do que a pintura de seus defeitos. É um belo golpe para os vícios expô-los ao riso de toda a gente. Suportam-se facilmente as repreensões; mas não se suporta de modo nenhuma troça’

Molière – Le Tartuffe

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a obra de arte não pode deixar o leitor impune.

Sartre

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...quid rides? mutato nomine,

de te Fabula narratur...

Horácio. Sátiras, livro I, versos 69 e 70

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“lê, diverte-te, e não queiras fazer juízos temerário sobre a pessoa de Fanfarrão. Há muitos fanfarrões no mundo, e talvez que tu sejas também um deles.”

Gonzaga, Cartas Chilenas. Prólogo.

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“o amor dói, mas existe”

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ao vencedor, batatas fritas e cueca-cuela

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WON’T YOU BUY ME MERCEDES BENZ?

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e eu que achava

que não havia encanto

na sua beleza exterior...

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A historia não é minha

Tampouco é recente

O que confirma a velha sentença de Salomão, segundo a qual nada existe de novo sob o Sol.

Vamos a ela.

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vida de negro é difícil, é difícil como o quê...

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A UM PASSARINHO

Para que vieste

Na minha janela

Meter o nariz?

Se foi por um verso

Não sou mais poeta,

Ando tão feliz!

Vinicius de Moraes

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

SMS's - frasesinhas anotadas no celular :-)

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Que espécie de escuridão
pode existir
quando o sol está presente?

[maiakóvski]

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"Se tinha alguma dor, e se enquanto doía ela olhava os ponteiros do relógio, via então que os minutos contados no relógio iam passando e a dor continuava doendo..."

[clarice lispector]

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eu, então,
por um raiozinho de sol amarelo
dançando em minha parede
teria dado todo o mundo

[maiakóvski]

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donde vem essa certeza de estar vivendo?

[clarice lispector]

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que fazer, com o inferno no peito?

[maiakóvski]

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a ciência é grosseira, a vida é sutil, e é pra corrigir essa distância que a literatura nos importa

[roland barthes]

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sou apenas o sorriso na face de um homem calado

[drummond]

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o essencial é invisível aos olhos

[saint-exupèry]

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ninguém no caminho,
e nada, nada a não ser amoras...

[sylvia plath]

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art is not a made to decorate rooms. it is an offensive weapon in the defense against the enemy

[pablo picasso]
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SMS's - respostas

Esvaziando o 'sent items' também :-P

[de 14/novembro/2007 a 11/12/2007]

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P/ AC:
tô aqui ainda. quer passar aqui não?
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P/ Regi:
feriaaado *.*
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P/ Marcolima:
Pirambaba!
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P/ Pedrenrique:
dêxa de ser apelão...meu msn não tá conectando ¬¬'
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P/ Duardo:
Dudu, coloque meus arquivos no pen drive, eu esqueci...
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P/ Bia:
Como foi de trampo? \o/
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P/ Zhelda:
na voz de Tim Maia: eu vou morrer de saudaaades!
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P/ Duardo:
Me liga assimque voce ligar a PORRA desse seu celular *.*
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P/ Regi:
saudade *.* zoio
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P/ Duardo:
meu dudu fofo *.*
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P/ Marcolima:

Marquito fofo, boa noite e bom começo de semana :-*
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P/ Duardo:
vamo tomar café antes da aula? esse pc tá uma lerdeza....
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P/ Luci:
Uai, que droga. que que rolou com a net aí?
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P/ Dann:
vamo trabaiá, fi. entra no msn.
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P/ Zhelda:
vou precisar de sua ajuda numa parada do trabai do Mr. Robinson (hey, mr. robinson, jesus bless you please lá lá lá lá, ou ou ou, iê, iê, iê-ê)
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P/ Dann:
te ligo quando chegar no trampo, güêntaí
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P/ Luci:
saco, hein? o lance agora é entupir o MP3 e ouvir muuuuita música...
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P/ Marcolima:
amanhã é yang lee, tarantino e bob dylan! :-)
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P/ Zhelda:
Rapunzel, chegue aí na sacada
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P/ Rodrigo:
rai silascá

SMS's

Esvaziando o 'inbox' do celular...

[de julho/2007 a 13/12/2007]


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Davus:
Bandida!
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Zhelda:
Oi, beibe! Acabou o descanso... Amanhã, segunda, tudo recomeça...
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AC:
=*
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Marcolima:
Anna Anarquista Guedes Vieira, eu idem!
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AC:
=P
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AC:
Até amanhã! =D
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Guto:
ótimo fds pra você, divirta-se.
beijão
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Guto:
tô com saudades de vocês. e agora, como fas/
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Regi:
^.^
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Guto:
Melô do publicitário fracassado:
"fiz aquele anúncio e ninguem viu, pus emq uase todo lugaaar"
hooho
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Regi:
bom fim de semana, fia ///

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Guto:
semana passou voando, nem vi passar... ¬¬'
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Pedrenrique:
hoje tive certeza de que aquela lasanha é uma farsa, uma mentira, uma falácia e provavelmtente uma hipérbole.
me liga se der, até 13h to on line.
bjos

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Regi:
hummmmm, tá bom. cabei de chegar \o/
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Regi:
Carai :-S
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Regi:
garaaaaaai, levantano agora??
huhuhuhu \o/
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Marcolima:
tô escutando o Led III... de novo!
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Zhelda:
amo voce.
bjos e boa semana. =*
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Pedrenrique:
banhozinho demorado esse, hein? já fiz aula, já li texto já conversei, já mijei...putaquepariu!

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AC:
tá na unb?
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AC:
me espera bem aí
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AC:
uhum.
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AC:
boa noite :-*
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Luci:
ainda tem guaca, mas acabou o doritos :-S
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Luci:
se der, traz cerva também
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Marcolima:
Boa noite, Raíssa. bom início de semana.
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Luci:
que merda. agora nem internet tem nessa porra desse trampo.
estou muito, muito indignado
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Zhelda:
Rai, entra no gmail ou liga aki em casa. meu cel morreu.
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AC:
te vi passar, tu nem me viu. pra quê que anda rápido desse jeito??
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sábado, 18 de agosto de 2007

Paris, Je T'aime

Nunca vi uma ficha técnica tão grande. Um ótimo filme, lindo lindo. Apesar de eu não ter entendido batatinhas da parte do velho na cabeleireira chinesa....

Paris, Je T'aime (França/ Alemanha/ Liechstenstein/ Suiça, 2006)

Direção: Olivier Assayas (segmento "Quartier des Enfants Rouges"),
Frédéric Auburtin e Gérard Depardieu (segmento "Quartier Latin"),

Gurinder Chadha (segmento "Quais de Seine"),

Sylvain Chomet (segmento "Tour Eiffel"),

Joel Coen e Ethan Coen (segmento "Tuileries"),

Isabel Coixet (segmento "Bastille"),

Wes Craven (segmento "Père-Lachaise"),

Alfonso Cuarón (segmento "Parc Monceau"),

Christopher Doyle (segmento "Porte de Choisy"),

Richard LaGravenese (segmento "Pigalle"),

Vincenzo Natali (segmento "Quartier de la Madeleine"),

Alexander Payne(segmento "14th Arrondissement"),

Bruno Podalydès (segmento "Montmartre"),Walter Salles e Daniela Thomas segmento "Loin du 16ème"),

Olivier Schmitz (segmento "Place des Fêtes"),

Nobuhiro Suwa (segmento "Place des Victoires"),

Tom Tywer (segmento "Faubourg Saint-Denis"), (segmento "Le Marais")
Emmanuel Benvihy (transições)

Roteiro: Payl Mayeda Berges e Gurinder Chadha (segmento "Quais de Seine"),

Gus Van Sant (segmento "Le Marais"),Joel Coen e Ethan Coen (segmento "Tuileries"),

Walter Salles e Daniela Thomas (segmento "Loin du 16ème"),

Christopher Doyle, Gabrielle Keng e Kathy Li (segmento "Porte de Choisy"),

Isabel Coixet (segmento "Bastille"),

Nobuhiro Suwa (segmento "Place des Victoires"),

Sylvain Chomet (segmento "Tour Eiffel"),

Alfonso Cuarón (segmento "Parc Monceau"),

Olivier Assayas (segmento "Quartier des Enfants Rouges"),

Olivier Schmitz (segmento "Place des Fêtes"),

Richard LaGravenese (segmento "Pigalle"),

Vincenzo Natali (segmento "Quartier de la Madeleine"),

Wes Craven (segmento "Père-Lachaise"),

Tom Tykwer (segmento "Faubourg Saint-Denis"),

Gena Rowlands (segmento "Quartier Latin"),

Alexander Payne (segmento "14th Arrondissement"), baseado em idéia de Tristan Carné e na concepção de Emmanuel BenbihyProdução: Emmanuel Benbihy e Claudie Ossard

Música: Tom Tykwer, Reinhold Heil e Johnny Klimek (segmento "Faubourg Saint-Denis"), Pierre Adenot, Leslie Feist, Christophe Monthieux e Marie Sabbah

Fotografia: Maxime Alexandre (segmento "Père-Lanchaise"), Michel Amatieu (segmento "Place des Fêtes"), Bruno Delbonnel (segmento "Tuileries"), Christopher Doyle (segmento "Porte de Choisy"), Eric Gautier (segmentos "Loin du 16ème" e "Quartier des Enfants Rouges"), Frank Griebe (segmento "Faubourg Saint-Denis"), Eric Guichard (segmento "Tour Eiffel"), Jean-Claude Larrieu (segmento "Bastille"), Denis Lenoir (segmento "14th Arrondissement"), Pascal Marti (segmento "Place des Victoires"), Tetsuo Nagata e Gérard Sterin (segmento "Quartier de la Madeleine"), Matthieu Poirot-Delpech (segmento "Montmartre"), David Quesemand (segmento "Quains de Seine"), Pascal Rabaud (segmento "Le Marais") Michael Seresin (segmento "Parc Monceau")

O Fantástico Mundo de Jack

Par perfeito pra A Noiva Cadáver no quesito "não pode nunca jamais faltar na estante de quem gosta de desenho, de Tim Burton e de desenhos-do-Tim-Burton", Jack, como diz Pedrenrique Pequeno, é o filme mais legal para as manhãs de bobeira e o filme mais reassistido esse ano!

Palmas pro Rei Abóbora!


The Nightmare Before Christmas (EUA, 1993)
Direção: Henry Selick
Trilha Sonora: Danny Elfmann

domingo, 12 de agosto de 2007

Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças

Relutei muito até assistir esse filme. Achava o título engraçadíssimo e, mesmo sem saber que tinha o Jim Carrey (o preconceito é uma desgraça) não achava que pudesse ser um filme sério -ou pelo menos assistível.

Mas assisti. E como me disseram que não tenho o direito de dizer nada porque fui preconceituosa sem saber do que se tratava, vou usar o que um cara mandou pra um site de cinema pra falar de Eternal Sunshine que de bobo, há!, não tem nada:

"Não é aquele filme que te faz se acabar de chorar dentro do cinema; ele te acompanha até em casa, dorme contigo e ainda te leva café na cama a semana inteira. Um filme tanto para se admirar quanto se apaixonar. Bernardo Krivochein (Rio)"





Eternal Sunshine of a Spotless Mind (EUA, 2004)

Direção: Michel Gondry

Elenco: Jim, carrey, Kate Wislet, Kirsten Dunst e Elijah Wood.

Roteiro: Charlie Kaufman

sábado, 11 de agosto de 2007

Boa Noite e Boa Sorte

A excelência em drama político. Bom em tudo, e a forma como a trilha sonora (com Diana Reeves) foi "encaixada" no filme é realmente uma sacada genial.

Good Night and Good Luck (EUA, 2005)

Direção: George Clooney

Fotografia: Robert Elswit


Elenco: Davis Strathairn, George Clooney, Robert Downey Jr, Jeff Daniels.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Morangos Silvestres

O melhor filme do mundo pra assistir, reassistir e treassistir. E de tempos em tempos dá aquela vontadezinha de ver de novo. Com ou sem o norwegian wine no copo de plástico!
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Só comparável ao lindíssimo Umberto D, do Vitorio DeSica.
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Smultronstället (Suécia, 1957)
Duração: 91min
Diretor: Ingmar Bergman.
Elenco: Victor Sjoström, Bibi Andersson, Ingrid Thulin.















quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Diamante de Sangue

Filme muito bom.
Mas se iam colocar um africano branco, tinha logo que ser um louro dos olhos azuis?


Blood Diamond (EUA, 2006)

Direção: Edward Zwick

Com Leonardo diCaprio e Djimon Houson

domingo, 27 de maio de 2007

O pior que poderia acontecer aconteceu: a UnB me saturou, a tal ponto de até a vontade de ler ter se esvaído.

A paixão está ainda intacta. Os livros também: a mania de comprar não diminuiu, a freqüência com que vou às bibliotecas também não. Mas tudo isso só resulta em empréstimos que no máximo só me rendem multas (da última vez esqueci completamente da data de devolução do Machado, e a multa chegou nos oito reais). Mal consigo chegar ao fim de uma página.

Comecei a perceber como a necessidade de leitura é física; é como estar passando por uma crise de abstinência (ou pelo menos é essa a idéia que eu tenho de uma). Situação mais desesperadora impossível: a consciência dói, a mão coça, o sono vai embora. Na quarta-feira cheguei a me levantar a noite pra tentar ler alguma coisa. Mal pego no livro, foi-se a vontade...

Não sei -realmente não sei- o que é isso. Um misto de apatia com desânimo. Começo a acreditar na preguiça pura e simples. Talvez não queira admitir: preguiça de ler é demais. Ter preguiça de ler é como uma praga que rogaram sobre nós. É como ter o remédio pra abstinência à mão, mas do outro lado do vidro...

Mas como todo mal tem seu remédio (na verdade uma camuflagem) foi com alegria que li quase que uma revista toda. Quase toda porque pulei a parte da purelise, ops, música clássica, e a parte de estréia e crítica teatral. Aliás, teatro é outra coisa que há tempos anda gastando só meu tempo e meu dinheiro. E mais aliás ainda, fui assistir à um a peça baseada num livro do Dostoiévski...

Vontade de ler o livro deu, mas a coragem não deixa...

quinta-feira, 15 de março de 2007

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"Chamem de romance toda narrativa temperada por diálogos e de poemas qualquer declaração ritmada - verão que depois de alguns anos não restarão nem traços de literatura"
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Mao Zedõng (Mao Tsè-Tung)
in.: Concerto de Fim de Inverno [Ismail Kadaré]

quinta-feira, 8 de março de 2007

Bilhete de Identidade [Mahmud Darwish]

Escreve! Sou árabe

e o meu bilhete de identidade é o cinquenta mil;

tenho oito filhos

e o nono chegará no final do Verão.

Vais zangar-te?

.

Escreve!

Sou árabe.

Trabalho na pedreira

com os meus companheiros de infortúnio.

Arranco das rochas o pão,

as roupas e os livros

para os meus oito filhos.

Não mendigo caridade à tua porta,

nem me humilho nas tuas antecâmaras.

Vais zangar-te?

,

Escreve!

Sou árabe.

Sou um homem sem título.

Espero, paciente, num país

em que tudo o que há existe em raiva.

As minhas raízes

foram enterradas antes do início dos tempos

antes da abertura das eras,

antes dos pinheiros e das oliveiras,

antes que tivesse nascido a erva.

O meu pai descende do arado,

e não de senhores poderosos.

O meu avô foi lavrador,

sem honras nem títulos,

e ensinou-me o orgulho do sol

antes de me ensinar a ler.

A minha casa é uma cabana,

feita de ramos e de canas.

Estás feliz com o meu estatuto?

Tenho um nome, não tenho título.

.

Escreve!

Sou árabe.

Roubaste os pomares dos meus antepassados

e a terra que eu cultivava com os meus filhos;

não me deixaste nada,

apenas estas rochas;

O governo vai tirar-me as rochas,

como me disseram?

.

Escreve, então,

no cimo da primeira página:

a ninguém odeio, a ninguém roubo.

Mas, se tiver fome,

devorarei a carne do usurpador.

Tem cuidado!

Cuidado com a minha fome,

Cuidado com a minha ira!

.

[Mahmud Darwish é um poeta palestino]

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Totalitarismo

"Se os persas invadirem suas terras destruirão suas cidades e as transformarão em pó.

Se os persas invadirem suas terras chacinarão cada homem e cada mulher em seu caminho, não poupando nada da aniquilação.

Se os persas invadirem suas terras crucificarão sua liberdade, e seus hábitos, sua cultura, sumirão para sempre"

- Xerxes, supremo imperador persa.

.

"Se"

- Leônidas, rei espartano, como resposta à ameaça.