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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

um início de ano tranquilo pra um fim de ano indecente

e parece que tudo tem voltado à normalidade. aliás, tem tudo voltado a ficar bom — nunca fui lá muito fã da normalidade.
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embora eu ainda não tenha dormido bem e ainda tenha coisas pra por em ordem na casa desde a mudança (em outubro -!!!-).
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e embora eu tenha urgentemente que procurar um médico — qualé a especialidade que põe seu ciclo cicardiano no lugar? porque o meu tá totalmente virado. zombie all day, partying hard all night. não importa o quanto eu tenha (tentado ao menos) descansar a noite ou dado um boost na minha energia durante o dia, minha disposição vai alcançar seu pico, bem, às duas da madrugada.
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não que eu não goste, eu prefiro muito mais, até. mas arrastar o dia nas costas é que não tem sido fácil.
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e eu ainda não me enrolei com prazos (YEY!), não voltei a estudar, mas consegui colocar as leituras em dia e tenho lido até bastante. filme, que é bom, tenho visto pouco, e daí tenho publicado pouco também.
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e por falar em filme, tenho pensado em wha-wha-what comprar uma tv. e em adotar outro gato. vamo ver no que dá.

http://www.snotm.com/



quinta-feira, 10 de outubro de 2013

mudança, mudanças

tou de mudança. prum apartamento dez portas antes da minha — aham. porque cansei de brigar com imobiliária, porque cansei d'um apartamento virado pra rua e cansei da barulheira da rua.

acho que cansei dessas paredes.

e no dia que decidi mudar, por coincidência, o vizinho da frente tava colocando a faixa de aluga-se. e lá fui eu e parece que vai dar tudo certo.

e tenho pensado nos mais de cem livros que não tenho mais para encaixotar e vi que essa foi a melhor decisão do mundo.

domingo, 7 de junho de 2009

eduardo galeano

eu estava bem feliz lendo sêneca. na verdade, eu tava bem feliz por ler sêneca, mas bem preocupada com os lances de a vida não é curta, você que é inútil ou quem acha que a vida não é boa o suficiente é porque não é bom o suficiente pra viver que enchem o livro do camarada aí (até onde eu li, pelo menos).

eis que me aparece um conto de eduardo galeano, umas poucas linhas, rapidinhas mas tão cheias de beleza, tão sutil, tão sublime, que eu parei o sêneca, desci na leitura e comprei o livro dos abraços, que se eu pudesse escolher estaria lendo desde os meus quatro anos de idade. e enquanto eu leio galeano, dando prosseguimento ao quinze páginas por mês, extensão de um livro em míseros sete dias, fica aí o conto e o pequeno diego.

Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar.
Viajaram para o Sul.
Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.
Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos.
E foi tanta a imensidão do mar, e tanto o seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.
E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai:

- Me ajuda a olhar!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

As três Irmãs, Checov

"Depois de nós, os homens viajarão de balão; as roupas terão mudado de forma. descobrirão, talvez, um sexto sentido e o desenvolverão, mas a vida continuará a mesma, uma vida difícil, plena de istérios e feliz. Daqui a mil anos o homem suspirará como hoje: 'Ah! Como a vida é dura!'. Mas, da mesma maneira de hoje, terá medo e não quererá morrer.
(..)
Não será somente por mais duzentos ou trezentos anos, mas ainda por um milhão de anos. A vida continuará como tem sido até agora. Ela não varia, é constante,s egundo suas próprias leis, que não nos dizem respeito ou, pelo menos, não conheceremos jamais. Os pássaros migratórios, as cegonhas, por exemplo, voam, voam, e sejam quais forem os pensamentos, grandes ou pequenos, errantes em suas cabeças, elas continuarão a voar, sem saber por que e para onde. Os pássaros voam e voarão, independentemente dos possíveis filósofos que surjam entre eles... e poderão filosofar à vontade, contanto que voem..."


fala de Tusenbach em AS TRÊS IRMÃS, de Anton Checov

domingo, 14 de dezembro de 2008

The 60's way of life...

Buy! buy!

Says the sign in the shop window.

Why? why?

Says the junk in the yard...

domingo, 3 de agosto de 2008

    EU, O NARRADOR, SOU TEORIA.

        Nasci na Gabela, na terra do café. Da terra recebi a cor escura de café, vinda da mãe, misturada ao branco defunto de meu pai, comerciante português. Trago em mim o inconciliável e é este o meu motor. Num Universo de sim ou não, branco ou negro, eu represento o talvez. Talvez é não para quem quer ouvir sim e significa sim para quem espera ouvir não. A culpa será minha se os homens exigem a pureza e recusam as combinações? Sou eu que devo tornar-me em sim ou em não? Ou são os homens que devem aceitar o talvez? Face a este problema capital, as pessoas dividem-se aos meus olhos em dois grupos: os maniqueístas e os outros. É bom esclarecer que raros são os outros, o Mundo é geralmente maniqueísta.


 

Pepetela. Mayombe. Angola, 1979.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Cantoria 1 e 2

"Só é cantador quem traz no peito o cheiro e
a cor de sua terra, a marca de sangue de seus mortos e a certeza de luta de seus
vivos..."
.
Cresci ouvindo Geraldo Azevedo e Elomar, e com esses discos a admiração por eles só cresceu. O mesmo se pode falar de Xangai e Vital Farias (que me fez conhecer, por engano, Vital Lima -belenense parceiro de Nilson Chaves).


Gravados em 1984 (Cantoria 1) e 1986 (Cantoria 2), esses dois discos são o que há de melhor da viola nas vozes dos mais expressivos cantadores do país. E tudo regado a pinga com mel ;-)


Detalhe especial para a voz de uma criatura que canta divinamente, o músico goiano Francisco Aafa (Arrumação -faixa 06, Cantoria 2).


.




e




.


Pra quem quer mais, tem o orkut.


sábado, 22 de dezembro de 2007

Caderno II

Os três poderes são um só: o deles

Nicolas Behr

.

Na hora da dor extrema a poesia é insuficiente. Abstrata, não tem um coração pulsando. O coração da poesia é sempre o nosso, que ela absorve e nos devolve em versos. Na hora da dor extrema, poetar é instinto de sobrevivência. Se você é poeta, concorda com isso? Já entregou a sua dor num poema pra aliviar seu sufoco? E aliviou?

Olympia Salete Rodrigues, Poetar pra Sobreviver.

.

SOLIDÃO

Ao ouvir de tanta gente o vozerio, sinto

Que sou sozinha onde vagueio.

O mundo angra, a

rebentar de cheio e eu

Sempre o vejo para mim vazio.

A taça de veneno que esvazio

faz-me, talvez, um cego. E nesse enleio

não sei se vejo o mau no meu receio,

ou se não vejo o bom no meu fastio...

Buscando a causa dessa solidão,

-fonte de mágoas e de amargos prantos,-

cheguei à dolorosa conclusão...

É que, no tumultuar dos vendavais,

No qual ando a vagar, por entre tantos,

Faltam uns poucos que não

vejo mais

Michele Carvalho

.

el amor eterno dura aproximadamente 3 meses

.

não existe uma língua portuguesa,

existem línguas em português

Saramago

.

Minha raiva

quase transpassa

a espessura

do teu vidro...

É mágoa.

E o que eu choro

é água com sal.

.

há uma necessidade premente

d’eu ficar ausente.

uma necessidade ambulante

d’eu ficar constante.

uma necessidade vital

d’eu não morrer como

antes...

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

SMS's - frasesinhas anotadas no celular :-)

.
Que espécie de escuridão
pode existir
quando o sol está presente?

[maiakóvski]

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"Se tinha alguma dor, e se enquanto doía ela olhava os ponteiros do relógio, via então que os minutos contados no relógio iam passando e a dor continuava doendo..."

[clarice lispector]

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eu, então,
por um raiozinho de sol amarelo
dançando em minha parede
teria dado todo o mundo

[maiakóvski]

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donde vem essa certeza de estar vivendo?

[clarice lispector]

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que fazer, com o inferno no peito?

[maiakóvski]

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a ciência é grosseira, a vida é sutil, e é pra corrigir essa distância que a literatura nos importa

[roland barthes]

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sou apenas o sorriso na face de um homem calado

[drummond]

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o essencial é invisível aos olhos

[saint-exupèry]

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ninguém no caminho,
e nada, nada a não ser amoras...

[sylvia plath]

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art is not a made to decorate rooms. it is an offensive weapon in the defense against the enemy

[pablo picasso]
.

SMS's - respostas

Esvaziando o 'sent items' também :-P

[de 14/novembro/2007 a 11/12/2007]

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P/ AC:
tô aqui ainda. quer passar aqui não?
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P/ Regi:
feriaaado *.*
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P/ Marcolima:
Pirambaba!
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P/ Pedrenrique:
dêxa de ser apelão...meu msn não tá conectando ¬¬'
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P/ Duardo:
Dudu, coloque meus arquivos no pen drive, eu esqueci...
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P/ Bia:
Como foi de trampo? \o/
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P/ Zhelda:
na voz de Tim Maia: eu vou morrer de saudaaades!
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P/ Duardo:
Me liga assimque voce ligar a PORRA desse seu celular *.*
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P/ Regi:
saudade *.* zoio
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P/ Duardo:
meu dudu fofo *.*
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P/ Marcolima:

Marquito fofo, boa noite e bom começo de semana :-*
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P/ Duardo:
vamo tomar café antes da aula? esse pc tá uma lerdeza....
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P/ Luci:
Uai, que droga. que que rolou com a net aí?
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P/ Dann:
vamo trabaiá, fi. entra no msn.
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P/ Zhelda:
vou precisar de sua ajuda numa parada do trabai do Mr. Robinson (hey, mr. robinson, jesus bless you please lá lá lá lá, ou ou ou, iê, iê, iê-ê)
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P/ Dann:
te ligo quando chegar no trampo, güêntaí
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P/ Luci:
saco, hein? o lance agora é entupir o MP3 e ouvir muuuuita música...
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P/ Marcolima:
amanhã é yang lee, tarantino e bob dylan! :-)
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P/ Zhelda:
Rapunzel, chegue aí na sacada
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P/ Rodrigo:
rai silascá

SMS's

Esvaziando o 'inbox' do celular...

[de julho/2007 a 13/12/2007]


-
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Davus:
Bandida!
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Zhelda:
Oi, beibe! Acabou o descanso... Amanhã, segunda, tudo recomeça...
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AC:
=*
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Marcolima:
Anna Anarquista Guedes Vieira, eu idem!
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AC:
=P
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AC:
Até amanhã! =D
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Guto:
ótimo fds pra você, divirta-se.
beijão
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Guto:
tô com saudades de vocês. e agora, como fas/
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Regi:
^.^
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Guto:
Melô do publicitário fracassado:
"fiz aquele anúncio e ninguem viu, pus emq uase todo lugaaar"
hooho
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Regi:
bom fim de semana, fia ///

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Guto:
semana passou voando, nem vi passar... ¬¬'
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Pedrenrique:
hoje tive certeza de que aquela lasanha é uma farsa, uma mentira, uma falácia e provavelmtente uma hipérbole.
me liga se der, até 13h to on line.
bjos

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Regi:
hummmmm, tá bom. cabei de chegar \o/
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Regi:
Carai :-S
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Regi:
garaaaaaai, levantano agora??
huhuhuhu \o/
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Marcolima:
tô escutando o Led III... de novo!
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Zhelda:
amo voce.
bjos e boa semana. =*
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Pedrenrique:
banhozinho demorado esse, hein? já fiz aula, já li texto já conversei, já mijei...putaquepariu!

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AC:
tá na unb?
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AC:
me espera bem aí
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AC:
uhum.
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AC:
boa noite :-*
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Luci:
ainda tem guaca, mas acabou o doritos :-S
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Luci:
se der, traz cerva também
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Marcolima:
Boa noite, Raíssa. bom início de semana.
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Luci:
que merda. agora nem internet tem nessa porra desse trampo.
estou muito, muito indignado
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Zhelda:
Rai, entra no gmail ou liga aki em casa. meu cel morreu.
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AC:
te vi passar, tu nem me viu. pra quê que anda rápido desse jeito??
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quinta-feira, 15 de março de 2007

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"Chamem de romance toda narrativa temperada por diálogos e de poemas qualquer declaração ritmada - verão que depois de alguns anos não restarão nem traços de literatura"
.
Mao Zedõng (Mao Tsè-Tung)
in.: Concerto de Fim de Inverno [Ismail Kadaré]

quinta-feira, 8 de março de 2007

Bilhete de Identidade [Mahmud Darwish]

Escreve! Sou árabe

e o meu bilhete de identidade é o cinquenta mil;

tenho oito filhos

e o nono chegará no final do Verão.

Vais zangar-te?

.

Escreve!

Sou árabe.

Trabalho na pedreira

com os meus companheiros de infortúnio.

Arranco das rochas o pão,

as roupas e os livros

para os meus oito filhos.

Não mendigo caridade à tua porta,

nem me humilho nas tuas antecâmaras.

Vais zangar-te?

,

Escreve!

Sou árabe.

Sou um homem sem título.

Espero, paciente, num país

em que tudo o que há existe em raiva.

As minhas raízes

foram enterradas antes do início dos tempos

antes da abertura das eras,

antes dos pinheiros e das oliveiras,

antes que tivesse nascido a erva.

O meu pai descende do arado,

e não de senhores poderosos.

O meu avô foi lavrador,

sem honras nem títulos,

e ensinou-me o orgulho do sol

antes de me ensinar a ler.

A minha casa é uma cabana,

feita de ramos e de canas.

Estás feliz com o meu estatuto?

Tenho um nome, não tenho título.

.

Escreve!

Sou árabe.

Roubaste os pomares dos meus antepassados

e a terra que eu cultivava com os meus filhos;

não me deixaste nada,

apenas estas rochas;

O governo vai tirar-me as rochas,

como me disseram?

.

Escreve, então,

no cimo da primeira página:

a ninguém odeio, a ninguém roubo.

Mas, se tiver fome,

devorarei a carne do usurpador.

Tem cuidado!

Cuidado com a minha fome,

Cuidado com a minha ira!

.

[Mahmud Darwish é um poeta palestino]

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007



- What's so unpleasant about being drunk?

- You ask a glass of water.

O Guia do Mochileiro das Galáxias

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

"de loucura rompeu-se-me o dique da razão"


.
"Alô!
Quem fala?
Mamãe?
Mãe!
Teu filho está esplendidamente enfermo.
Tem um incêndio no coração.
.
(...)
.
Mãe!
Não posso mais cantar.
No templo de meu coração
o altar está em chamas!
Palavras e números
como figuras ardentes
fogem de meu crânio
como crianças de uma casa em fogo.
Era assim que o pavor
de não poder agarrar-se nas nuvens
erguia os braços-labaredas do Lusitânia.
.
Ante a tímida gente
que vive na paz caseira
ergue-se um halo de incêndio
de mil olhos.
Ó meu derradeiro grito!
Dize aos séculos futuros
pelo menos isto:
Que eu estou em chamas.
(1915)
[Maiakóvski - Antologia POética. 4ª edição. Tradução de E. Carrera Guerra]
.
Extrema e lindamente apaixonado. Sempre. Assim foi [e é] Vladimir Maiakóvski. Para sempre ferido mortalmente pelo amor.
.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

Estradas

"As estradas são encaradas por de Selby como os mais remotos dos monumentos humanos, ultrapassando em muitas dezenas de séculos o mais antigo objeto de pedra que o homem tenha erigido para assinalar a sua passagem. O passo do tempo, diz ele, uniforme em todas as outras partes, apenas bateu com uma firmeza mais duradoura os caminhos que foram abertos pelo mundo a fora. De Selby assevera também que uma boa estrada tem que ter caráter e um ar de destino, uma insinuação indefinível de que está indo para algum lugar, seja para leste e para oeste, e não retornando de lá. Se você seguir por tal estrada, acha ele, ela lhe oferecerá uma viagem agradável, belas vistas em cada curva e uma tranqüila facilidade de peregrinação que o convencerá de que está endando permanentemente em declives. Mas se você rumar para leste numa estrada que está seguindo para oeste, ficará admirado com a aridez de cada paisagem e o enorme número de aclives calejantes que o confrontará para fatigá-lo. Caso uma estrada amistosa o levasse a entrar numa cidade complicada com um emaranhado de ruas sinuosas e quinhentas outras estradas saindo dela com destinos ignorados, sua própria estrada será sempre discernível por si mesma e o conduzirá para fora da cidade confusa."

Horas Douradas, VI, 156.

segunda-feira, 14 de agosto de 2006

Jim


"Eu vejo-me como um ser humano sensível e inteligente, mas com um coração de palhaço que me obrigar a estragar tudo nos momentos mais importantes."

terça-feira, 1 de agosto de 2006

E então, que quereis?...


Fiz ranger as folhas de jornal
abrindo-lhes as pálpebras piscantes.
E logo
de cada fronteira distante
subiu um cheiro de pólvora
perseguindo-me até em casa.
Nestes últimos vinte anos
nada de novo há
no rugir das tempestades.
Não estamos alegres,
é certo,
mas também por que razão
haveríamos de ficar tristes?
O mar da história
é agitado.
As ameaças
e as guerras
havemos de atravessá-las,
rompê-las ao meio,
cortando-as
como uma quilha corta
as ondas.
.
Maiakovski(1927)

quinta-feira, 13 de julho de 2006

poeminha

Eu desde sempre fiz versos
desde cedo vivi poesia...
mas você me desconcerta toda,
.você não me inspira nada
Você é só imagem.
.mas mesmo assim eu [suspiro]
(E eu que achava
Que não havia encanto
Na sua beleza exterior...)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

"Ser marginal foi uma decisão poética" (1989)

Foto: Cazuza (divulgação do disco 'Ideologia', 1988)