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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

de volta outra vez

acho que é a primeira vez na história dos blogs mundial que alguém fecha um blog e volta depois de uns anos.

nesse meio tempo, tive dois ou três outros -- todos afetados pelo sintoma de preguicitis de postagem ou esquecimento descarado -- e agora escrevo no ana, leu isso? e comecei uma coluna sobre cinema com os meninos do bobajada. pretendo também descobrir como atualiza essa trem aqui, pois me dá fanico essas coisas todas atrasadas.

no mais, vos deixo com uma foto da frida e com a notícia de que ainda ensaio ver um filme por dia e ler um livro por semana, e às vezes consigo.

c'est ça.





sábado, 30 de maio de 2009

projetos

depois de décadas de ajuntamento de livros, filmes e músicas, vamos começar los grandes proyectos: Um Filme por Dia e Um Livro por Semana.
também serão empreendidos um projeto no mesmo esquema, relacionado à música (mas ainda não me decidi qual o esquema, uma espécie de "um álbum por dia" ou "um artista por vez", nosso departamento projetístico está trabalhando em cima disso); o projeto de até o fim do ano tirar algo do violão que não sejam calos nas mãos e cordas arrebentadas, alguma coisa relacionada à fotografia (coimalinda!) e aprender decentemente espanhol. e, obviamente, outros projetos serão incorporados à lista. e se algum deles chegar pelo menos à metade, poderemos considerar isso um grande avanço da minha parte.

pois bem.

profundamente dedicados à ociosidade luminosa e produtiva e ao bom aproveitamento do tempo e da vida, os assim chamados "projetos" consistem em, dois pontos

a) como o nome já diz, o Um Filme por Dia irá se dedicar, ou eu irei me dedicar, a assistir todos os filmes que tiverem a sorte de passar pelos meus olhos (vou tentar me controlar e não assistir o labirinto do fauno mais mil vezes). para isso contaremos com um grande acervo de filmes baixados, copiados, backupiados, comprados, locados e emprestados, um por dia -na medida do possível- que serão comentados aqui nesse moribundo blog.
sim, aceitamos sugestões :-P

b) Um Livro por Semana: a book per week, aiquitesón, é um ótimo motivo para eu começar a ler os livros que eu comprei e ainda não li. o único motivo é o prazer em si, já que isso de ler livro obrigado é o pior castigo do mundo e eu nunca precisei disso. o projeto Um Filme... (escrevendo igual jornalista, ui) já existia, e é fruto do anteprojeto musical da mesma espécie (e ainda sem nome/ planejamento). Conversando com Lelê Teles, me veio a idéia de fazer o mesmo com livros

abre parênteses:
eu: (...) eu pouco tenho lido, mas to comprando tanto livro que mal tá cabendo em casa!
ele: os livros nos encantam e nos educam até mesmo com a sua presença, além de ter o poder de seduzir os outros.
(achei lindo isso)

fecha parênteses

o esquema de leitura é o seguinte: nenhum. posso começar lendo livros por ordem alfabética, por ordem de tamanho, por ordem inversa de tamanho ou por cor da capa, whatever. não vai adiantar nada mesmo, todo hora vão aparecer regras novas e sumir outras (quem gosta de calvinbol levanta a mão).

e por falar em comprar livros, daniel lopes, aquela fofura, me vendeu as cem melhores crônicas, do mário prata; o queremos tanto a glenda, do cortázar; o granta, volume 3; o amor e lixo, do ivan klíma e ainda vai me mandar de brinde o tre cavalli, que vai de presente pro camarada marcos lima. tudo isso por um preço pra lá de bão. quem quiser testar, vai lá na prateleira dele na ev.

então é isso, vamos ao primeiro filme.


ps: o lance é comentar filmes e livros, discordar, concordar ou confundir. pra fazer crítica profunda e bem fundamentada têm outros seres se dedicando que não eu.

psii: comecei ontem o sobre a brevidade da vida, do sêneca (o diderot, já no século xviii e antes que caetano pudesse dizer algo, tascou logo um "esse tratado é lindo", no melhor sotaque baiano), vamo ver o que dá.

psiii: baixei o the complete recordings, do robert johnson. cavernoso. o hômi falou com o capeta mesmo, certeza.

psiv: meu irmão até que enfim aprendeu o que é bom da vida e vendeu sua alma ao rock n' roll. ou não. o fato é que ele me apresentou a kiss fm tem algumas horas, e eu já ouvi kiss, ac/dc, heaven & hell e led zeppelin, então vale a pena ;-)

sábado, 24 de janeiro de 2009

festas x(

Vou dar três motivos pelos quais eu não gosto de festas...

Primeiro: nunca vão estar lá as pessoas que você quer que estejam
Segundo: um desmembramento do primeiro: as chances de ver exatamente quem não quer ver são imensas e proporcionais as de que a maioria dos convidados seja composta por gente chata
Terceiro: a música. Nunca, em nenhuma ocasião ou hipótese, a música vai me agradar (é claro, tenho que pensar em mim. pouco me importa se os outros gostam ou não de Cher).

Claro que faltou dizer que não suporto gente bêbada, gente atirada, gente efusiva, parentes, gente que finge que te ama e gente que resolve colar em você pra contar aquelas coisas que ninguém quer saber.

Na verdade, não sei o que se faz em festas. A música não é a que você gosta, ou pelo menos não é a que você quer escutar aquela hora. Você não sabe dançar (tá,e u falo por mim) e não tá a fim de aprender. Pra mim, tudo não passa de uma desculpa pra panelinhas: você vai com quem quer, fica a festa toda conversando só com os que te interessam (ou que te chateiam menos) e sai com quem chegou. Fim.

sábado, 31 de maio de 2008

Cabelos e Cigarro
















.tão aí duas coisas que SEMPRE me prendem a atenção.

Do You Mind?

"Ah, você é a Anna Raíssa?!"

Pode parecer estranho, mas ainda hoje quando escuto essa pergunta me assusto. Não se pode prever o que vai vir depois do "sim, sou eu", aí pode estar o motivo do susto. Eu ouvia a pergunta algumas vezes, como todo mortal, mas depois que entrei na UnB a pergunta ficou mais freqüente e às vezes é mesmo diária.

Não sei que diabos meus amigos andam dizendo de mim por aí, ou que que eu mesma ando aprontando. Eu tô que converso com alguns conhecidos, e pá, um dos amigo-do-amigo-dos amigos dispara: ah, é você a Anna Raíssa?. Estou eu na sala de aula, o professor faz a chamada e diz sem nenhum entusiasmo "Anna Raíssa Guedes..." e alguns pares de olhos se voltam pra mim. A partir disso, as bocas desses mesmos pares de olhos sorriem e me cumprimentam toda vez que me vêem. Na fila do IL, eu assinando meu nome e um cara de olho comprido. Olha pra mim e RÁ!. Não resisto, minto. Não, não sou eu não, mas eu conheço a Anna Raíssa. Pô, já ouvi falar pra caramba dela, é, eu também já. Parece que ela conhece muita gente, porque eu sempre escuto falar dela. É...

Pode não parecer, as pessoas podem achar que é brincadeira minha, charminho, sei lá. Mas eu MORRO de vergonha, fico sem jeito, com cara de mané. Aí fica engraçadíssimo, a pessoa lá quicando e eu lá querendo um buraco pra me enfiar.

Whatever.

Estava eu lá numa batucada do CALET, alguém me pede um isqueiro emprestado (pedir isqueiro emprestado a quem não fuma, ai ai ai). Me virei prum cara sentado atrás de mim - uma figura interessantíssima, by the way - pedi o isqueiro, ele me emprestou e quando eu fui devolver, seu nome? Raíssa. Anna Raíssa, o seu? AH! Anna Raíssa é você?

Jeeze...

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Gente, Gente

Às vezes eu acho que seria capaz de suportar uma crise de rim sem que qualquer pessoa ao meu redor percebesse. Não chamaria isso de mau caráter ou estoicismo, pode ser só auto-preservação. Não sei se saberia passar por qualquer incômodo em público, e não me sinto confortável quando alguém se expõe de qualquer maneira. Não consigo lidar com o desconforto alheio, com a falta de tato alheia e tampouco com as variações alheias; penso que cada um deveria guardar-se pra si, sem que os outros fossem de qualquer forma responsabilizados ou expostos a sentimentos e situações que não são suas.

Custa às pessoas serem respeitosas ou agradáveis, falta-lhes uma certa sensibilidade para tratar com o outro. Estamos numa época em que as pessoas se expõem demais ou se travam demais, uma época em que não é incomum sermos encarados como um perigo para o outro ou julgados impiedosamente. Numa época em que as relações são burguesas, assépticas e hipócritas. Numa época em que a frustração se veste de distância ou de não-preocupação, cala fundo e transforma os atos.

O tratamento dado a um ou a outro depende do humor de quem trata, e os pesos e medidas são vários e variáveis. O conceito que te é dado é indelével, mesmo que se prove que você é exatamente o oposto do que pensavam de ti no início. Tudo é julgado logo de início, tudo é jogado em caixas e quebrado para que caiba. Os conceitos são estreitos e impiedosos. Todo mundo tem que ser isso ou aquilo, ninguém pode ser tudo ao mesmo tempo. Ninguém muda, e se muda não é visto com bons olhos. Todos têm que ser brancos bonitos cristãos bem sucedidos financeiramente fãs do Chico Buarque antitabagistas heterossexuais corretos defensores da moral da ordem e dos bons costumes. Ecologia é coisa quem não liga pro progresso e os Direitos Humanos servem para defender marginais. Se você mora em Brasília, tem que saber Direito, ter carro e estudar pra concurso, se você mora em São Paulo é o bem sucedido, se mora no Rio é Menino. Tudo bem colocado, bem encaixado.

Alguns prezam por esses e outros conceitos, e têm alguém preso no porão há mais de vinte anos. E eu vou ler Sartre pra manter minha sanidade.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

de gente sozinha e música

Engraçado, depois de passar uma manhã quase toda ouvindo todas as versões que consegui encontrar de I Wish You Were Here (a do Pink Floyd, não a dos Bidis), comecei a achá-la muito parecida com Nowergian Wood (o livro, não a música). Há uma multidão de gente sozinha escrevendo e compondo sobre solidão...

Norwegian Wood II

356 páginas muito boas e um último páragrafo de 6 linhas imprestável.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

Papai Noel de Foice*

Estou me convencendo que a música não caminha lá bem das pernas. Na verdade, os músicos. E depois de um natal em que perdemos James Brown e Braguinha, só nos resta rezar pela saúde de Dorival Caymmi...

*título modificado, roubado de http://intertextoecontexto.blogspot.com

terça-feira, 17 de outubro de 2006

Pornopolítica II

Brasília é um jogo de cartas marcadas....

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PT – Paulo Tadeu, Chico Leito, Érica Kokay Cabo Patrício
PMDB – Roney Nemer , Pedro Passos, Benicio Tavares
PSDB – Nilton Barbosa, Jaqueline Roriz
PTB – Cristiano Araújo e Dr. Charles
PFL – Eliana Pedrosa, Junior Brunelli, Leonardo Prudente, Paulo Roriz
PL – Aguinaldo de Jesus
PDT – Reguffe
Prona - Wilson Lima
PP - Benedito Domingos, Raimundo Ribeiro, Batista das cooperativas, Rogério Ulisses .

quinta-feira, 24 de agosto de 2006

Pornopolítica I

Em uma frase:
Violação de painéis.
Acusado:
José Roberto Arruda, candidato ao Governo do Distrito Federal, tem grandes chances de vencer já no primeiro turno.

terça-feira, 1 de agosto de 2006

Aos que disseram não

Semana passada fomos assaltadas, eu e uma colega de trabalho. Fomos assaltadas exatamente quando saíamos do trabalho, às 6h da tarde numa comercial movimentada da Asa Norte. Fomos assaltadas por um cara baixinho, com uma camiseta do flamengo (que jogaria naquele dia mesmo), que estava apavorado com o fato de estar com uma arma na mão. Cientes de que os desesperados são os que mais fazem besteira, são os que não exitam em atirar -não por serem destemidos e coisa e tal, mas por puro medo- entregamos o que ele pedira, só os celulares. Roubar celulares numa época em que eles são dados de graça!
Aquele cara tava com um medo enorme. Medo da arma. Medo talvez do que estava fazendo, mas era medo principalmente de estar com uma arma.
Aí tá: com certeza a arma não era dele, e quase-certeza que era uma das primeiras vezes -se não a primeira- que ele pegava em uma para assaltar.
Dizem que se tivesse sido proibido, o comércio de armas e munição não diminuiriam os assaltos ou mortes. Eu acredito que sim. Acredito que, pelo menos os assaltantes de primeira viagem, os medrosos e os aventureiros não teriam a oportunidade de cair nessa, ou pelo menos seria mais um fator a por-lhes medo, e evitar que aumentassem a besteira que já anda por aí.
E eu continuo sem celular.

segunda-feira, 3 de julho de 2006

Hermanos


EL CONDÓR PASA

I’d rather be a sparrow than a snail,
Yes, I would…
If I could…
I surely would…

I’d rather be a hammer than a nail,
Yes, I would…
If I only could…
I surely would…

Away, I’d rather sail away
Like a swan that’s here and gone.
A man gets tied up to the ground,
He gives the world it saddest sound…
It’s saddest sound…

I’d rather be a forest than a street…
Yes, I would…
If I could…
I surely would…

I’d rather feel the earth beneath my feet…
Yes, I would…
If I only could…I surely would…

segunda-feira, 12 de junho de 2006

Somos todos boçais

Ai meu deus. Tem hora que não dá, não mesmo.
A coisa mais legal que eu vi esse final de semana foi o Sidney Magal dando uma entrevista a uma loirinha água-doce enquanto jogava Playstation 2. A TV está cada vez mais boçal, e a população tá tomando esses hábitos horrorosos também. Mas não é só a TV burra que é boçal. Todos nós somos, vejamos bem. É só prestar atenção um pouquinho e vamos perceber em nós às vezes não só um traço de boçalidade. Dependendo do grau em que nos encontramos, podemos ser até uma hachura inteira de boçalidade à flor da pele.
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Primeira análise: Sexta-feira fiquei um tempão discutindo com um colega, porque ele gosta (na verdade tem uma admiração horrenda por ela) da pior professora que eu já tive naquela UnB (fatalmente na FE), professora essa que também é uma boçal. Ai, santa margarida, eu sou boçal.
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Segunda análise: A pessoa que escreve dois textos ao mesmo tempo, tomando-se por base (ou "a grosso modo") a quantidade boçal¨ de parênteses utilizados, o que forma quase um entretexto.
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Outra análise: Programa de TV de Domingo (leia-se 'perda de tempo') em que as pessoas levam seus bichinhos para apreciação do público. Temos um par de ferrets que gastam por mês quase R$500.00 (preciso lembrar que isso num país onde a maior parte das pessoas não recebe nem isso por mês pra sustentar casa e filhos?), uma cabra vestida de noiva que precisa de um companheiro (ele deve ser de boa família e querer compromisso sério), um cachorro que chupa o dedo (dos outros, óbvio), um carneiro que mora num jardim do tamanho da minha casa e um calango tatuado que cria uma iguana.
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Entreanálise: A dona da formosa cabrinha aí de cima chorando no programa por que não tem como alimentar seus vinte e tantos animais de estimação. Pede ajuda e chora como quem vê um filho passando fome.
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Mais uma: A pessoa ter vontade de assistir um filme só pra ver o Antonio Banderas dançando. Mas é o Antonio Banderas.
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Quinta análise: Top 5. A não ser, é claro, que você tenha assistido High Fidelity. Aliás, quer coisa mais boçal do que fazer alguma coisa só porque alguém no cinema fez?
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Análise meia-dúzia: Falar que um cara grande (do tipo o maior teórico da literatura no Brasil) não escreve nada, é um charlatão ou coisa parecida, só pra alguém achar que você, apesar de chato, asqueroso, imbecil e idiota tem o mínimo de inteligência pra manter a coluna vertebral ereta.
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Análise sétima: brigar pra ver quem vai pagar a conta telefônica...
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Oitava análise: Meia hora discutindo a ordem numérica de 1-2 só porque alguém gosta mais do nove.
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Nueve, nueva: Aceitar as coisas do jeito ques estão só porque não se tem coragem pra mudar. Ou pra reclamar.
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Décima, mas não última: chupar ossinho de carne de vaca. Costela.
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¨"Boçal -4. muito grande; enorme, descomunal, imenso [etc.]" (Houaiss)

quarta-feira, 10 de maio de 2006

Coração mole

Cedinho, do Gama pro Plano Piloto. Entra o primeiro, ou melhor, os. Dois caras, ex-drogados, ex-viciados e essa coisa toda. Vendiam daqueles melzinhos que vêm em tira e curam tosse. É pra ajudar a casa de recuperação, moça. Vende uma aqui, alguém dá umas moedas ali, outros dão dinheiro mas não querem o mel (um absurdo. Se os caras estão lá vendendo uma coisa, o cidadão se acha mais cristão se der esmola?). Descem e vão.
Entra um cego, já velho e antigo conhecido de quem toma ônibus todo dia. Pede porque não há outro jeito, se nesse país idoso não tem vez, imagina se tem alguma deficiência. Prega um pouco, abençoa os que dão, outros nem ligam. Criaram resistência, ficaram indiferentes, vá-se saber. O velho desce.
Horário do almoço, Plano Piloto-Guará I. Sobe a mãe, com um piá nos braços, outros na barra da saia. Fica lá em pé sem dizer nada, fazendo uma cara de auto-piedade. Um minuto nessa e sobe uma criança de uns sete ou oito anos. A menina estava coberta de cicatrizes de queimadura, o corpo todo marcado. A bondosa da mãe coloca um bustiê na menina e uma micro-saia, e a bota pra pedir nos ônibus! A menina passa de cadeira em cadeira, enquanto a mãe fica lá com aquela cara. Vê que a menina não "arrecadou" lá grande coisa, e fala alguma coisa no sentido de que a gente tava faltando com a obrigação (de mantê-la lá nessa situação?).
A sociedade é responsável. Mas se eu der dinheiro, a mãe vai continuar sem trabalhar e explorando a filha, a situação física da filha. Revoltante. Minha vontade era de jogar a mulher do ônibus. Raiva, raiva, raiva. Afinal, a sem coração era a sociedade? E a parcela de culpa dela, que tratava a filha com aquela crueldade? O que fazer numa situação dessas? Eu, sinceramente, não sei. E foi ainda pensando nisso que eu voltei do trabalho, no fim da tarde.
Aí entra um cara vendendo chaveiros. Deu boa noite e falou que estava lá vendendo aqueles guéri-guéris pra pagar seus materiais de escola e a passagem. Tinha voltado a estudar depois de um tempo, fazia o ensino médio no Riacho Fundo, e ele mesmo tinha que bancar seus estudos. Não sei se com a desculpa de que minha irmã tem uns chaveiros que a levam pra escola (é tanto chaveiro dependurado que eu acho que quem sai são eles, e não ela), comprei um. Aí fiquei pensando: será que se ele tivesse repetido o discurso de "estar pedindo uma ajuda por necessidade, pois tem irmão doente em casa, a mãe tá hospitalizada..." eu ia comprar? Provavelmente não. Mas o diabo é que ele falou na escola, talvez tivesse até uma travo de sinceridade em sua fala.
E além de tudo, educação é coisa séria, rapaz!

quarta-feira, 3 de maio de 2006

CAMISETAS

Primeiro foi a vermelha com a estampa do Che Guevara, agora é a vez da Anita Garibaldi virar uniforme (vai se saber por que o ALUB faz isso). Sem contar outras tantas grifes que ganham dinheiro em cima de imagens que viraram cliche. Deve ser porque virou mesmo clichê, daqui a pouco até Tupac Amaru entra na dança. Ser socialista, tanto quanto usar imagem de revolucionários na camiseta, tá na moda. E vende muito.

quarta-feira, 26 de abril de 2006

GENTE CHATA

-Boa tarde, eu sou a Tatiana da Crédito Pré-Aprovado da ABC. Com quem eu falo?
...
-"A BrasilTelecom agradece sua ligação. No momento, todos os nossos atendentes estão ocupados, por favor aguarde."
...
(Numa loja de celular, ao meio-dia d'um domingo)
-Olha, colega, esse plano aí queridinha é só praqueles tipos de aparelho ali. Mas se você quiser, colega, a gente podemos te mostrar outros, meu bem.
...
-Porque tinha que tirar a literatura do curso de Letras mermo. Meu negócio é gramática. Até essa porcaria aí dessa lingüística podia tirar também.
...
-Eu não gosto de filosofia. Essa história de "quem nasceu primeiro o ovo ou a galinha" é uma chatice.
...
-Ah, esse seu sapato é igual ao da fulana da novela.
...
-Não, agora a gente não tá atendendo. Você pode vir amanhã de manhã? Mas vem antes das onze, é melhor (...)
...
-Esse presidente só pensa em pobre. Ele não lembra que foi a elite financeira que levou esse país pra frente até hoje.
...
-Professor só serve pra transformar essa cambada de burro num monte de petista idiota.
...
- Ah! Queridíssimas, lindíssimas, pulcríssimas, estou por demasiado contente em reencontrá-las após esse longo período de greve. Ah, chiquerésima, te mostrei o livro que eu me estapeei na livraria pra conseguir? O acontecido me arqueou sobremaneira...

HE-MAN

Que atire a primeira castanhola quem não pensou nele uma vez sequer durante as últimas três semanas.
Pare e preste atenção: você ouviu o nome dele pelo menos duas vezes ao dia durante duas semanas e viu -durante cinco dias- uma fila de desesperados querendo ao menos cinco minutos a sós com ele. Ele monopoliza as atenções e os pensamentos durante o período de matrículas (e as vagas também). Ele faz você esquecer tudo que tem pra fazer e ficar sentado horas a fio, esperando ansiosamente o minuto em que sua vez de sentar na frente dele e ouvir um "pois não" em sotaque hispânico chegue. Ele faz você sentir ódio profundo dele. Ele te faz inclusive ter vontade de substituir a barba e a voz grave por um par de coxas grossa e uma minissaia.
Há quem, ainda por cima, teve que ouvir das amigas histéicas uma mistura de palavrões e elogios em castellano àquele ser.
Diz aí: El Cordenador é ou não é THE MAN?

terça-feira, 18 de abril de 2006

Olimpíadas

CATEGORIA PESOS-PESADOS:
Modalidade: War
N° de Participantes: 2 (Sr. George W. Bush versus Planeta Terra)
Como jogar: da forma mais suja.

CATEGORIA PARTIDÁRIA:
Modalidade: Pugilismo
N° de Participantes: 3 (José Serra versus Geraldo Alckimim + Aliados)
Resultado do jogo: José Serra ganhava disparado até o último round. Alckimim (que deve ser alquimista) conseguiu ganhar a partida no último minuto.

CATEGORIA NACIONAL:
Modalidade: Qualquer coisa em que um taco de beisebol possa ser diplomaticamente arremessado na cabeça do oponente.
N° de Participantes: 2 (Senador C. Buarque versus Sr. C. Vigilante)
Resultado Parcial: Vigilante não se deixa abater (pelo menos aparentemente), apesar das pancadas que recebe em sua cabeça dura. C. Buarque acusa o adversário de tramóias e jogo sujo.

CATEGORIA BURITI:
Modalidade: Golfe
N° de Participantes: Vários. Mas nessa modalidade, é a esquerda autofágica contra ela mesma.
Observando o jogo: D. Arlete e Sr. Agnelo estão com seus respectivos tacos, mas não se sabe onde foram parar as bolinhas e os "buracos".

segunda-feira, 10 de abril de 2006

Mantenedores do Sistema

Quanto mais óbvio, menos provável. Há quem pense que morar em Brasília é, essencialmente, estar ligado à política. Ledo engano. Diria até ‘ledíssimo’, em homenagem a um conhecido, caso tal superlativo existisse. O brasiliense é por si só um ignorante político, e isso inclui estudantes, funcionários do governo, jornalistas. Teremos um exemplo disso se formos observar de quem é a dinastia que domina Brasília há tempos, qual o jornal mais popular e a revista de maior vendagem na capital. É preciso citar nomes?
Eu poderia até culpar a burguesia pelo fato, pois temos a maior concentração dela por metro quadrado do país (graças ao bom Deus o fato se deve a não termos tantos metros quadrados assim), mas me assusto a cada vez que constato que somos a nata da ignorância política e da falta de humanidade, por descaso ou até simplesmente por preguiça. Nos ônibus e nas ruas reinam as idéias reacionárias, do tipo “rouba, mas faz”, nas escolas professores insistem que sem dinheiro (muito) você não vai ser ninguém. Mães e pais pressionam adolescentes quando surgem concursos públicos como os da Câmara ou do Senado (o salário, meu filho, pense no salário). Mas quando o assunto é eleições, cada um dá seu jeito de sair de fininho. É um tal de “política não se discute” pra cá, uma história de “são todos iguais, as coisas não vão mudar” pra lá que até enjoa. Igualdade social? “Nunca”, dirão, “é utopia. Coisa de sonhadores, de quem não sabe ser prático”. Um nojo. Sim, pois a ignorância consentida enoja.
Mas por outro lado temos o que alguém chamou de “classe média comunista”. Esse é o tipo mais engraçado. É o filho de deputado tucano que usa camiseta do Che, os hippies universitários que desfilam na L2 de Honda Civic, e coisas desse tipo. Uma incoerência só.
E enquanto esses dois grandes grupos (os acomodados e os pseudo-engajados) vivem da sua autofagia, a miséria vai crescendo ao redor da capital. Invasão em cima de invasão, gente morando no lixão, a favela de Vicente Pires aumentando (inclusive suas aparições na mídia local), o crime se organizando e deputado vendendo a mãe pra não ter o nome envolvido em escândalos esse ano.
Brasília é um retrato saturado do restante do país. Aqui as coisas são mais evidentes, talvez por isso todo mundo aqui viva como se a situação fosse a mais normal possível. Não percebem o caos, não se comovem com a realidade alheia. Temos um governo criador de miseráveis. Quem foi que disse pra alguém que Brasília é um paraíso? Por que vêm pessoas dos confins do Goiás achando que, chegando aqui, por um passe de mágica vão conseguir um emprego público e apartamento na Asa Sul? Brasília não dá mais conta dos próprios filhos, e não se por de dar ao luxo de sair adotando mais gente. Não, não estou sendo fascista, longe de mim. O que acho é que devemos encarar o fato de que aqui ninguém quer dividir nada com ninguém. O cara que trabalha no Senado não quer que seu filho, tão bem educado no Galois, divida um banco de universidade com o filho do porteiro do prédio, quem dirá pensar no fato de que sua empregada possa vir a ser sua chefe no serviço público. Isso nunca! Alguém tem que evitar que o poder chegue às mãos de ex-empregados de fábricas e metalúrgicas, de professores ou estudantes. Vê lá se alguém quer deixar de comer em restaurantes caríssimos pra que algum outro infeliz possa vir a ter o arroz-com-feijão na mesa.
“Não, não”, pensam, “que eles se contentem com a própria sorte, porque nós já nos contentamos com a nossa”.
25/06/2006