quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

de gente que fura e da não importância com o outro, ou de gente que não se importa em furar

eu  estava na quarta série, eu acho (não sei como se chama isso hoje em dia), e tive que fazer meu primeiro trabalho em grupo. eu nunca havia feito trabalho em grupo até então — e nunca mais iria me empolgar em fazer, a bem da verdade — e como meu grupo era minha amiga de desde a primeira série, e que seria minha amiga ainda por alguns anos, e a minha amiga desde a primeira série era adventista do sétimo dia, marcamos de fazer o trabalho no domingo, na casa dela.

mas a questão é que o domingo de uma criança não é o domingo de um adulto. não é o domingo depressão-oh-amanhã-começa-tudo-de-novo-que-saco-i-hate-sundays. o domingo de uma criança, e de uma criança com quintal, é um dos melhores dias da semana.

e domingo era dia de meu tio nos levar pra tomar sorvete e da minha avó fazer almoço (frango, pra ela frango se comia aos domingos) e de tantas outras coisas em dias sem aula.

e o domingo do meu primeiro trabalho em grupo amanheceu chuvoso. e depois do almoço era hora de todo mundo se embolar na sala e ir ver filme e do coitado do cachorro ficar olhando triste pra porta querendo sair, mas sabendo que ninguém o deixaria ir lá fora porque tava tudo molhado. e eu naturalmente esqueci do meu trabalho em grupo.

mas não minha mãe. anna raíssa, vai tomar banho.
mas mãe, tá chovendo.
não está chovendo, está chuvoso. calça a bota, pegua o guarda-chuvas (a amiga morava na quadra de baixo) e vai. compromisso não se desmarca.

e lá fui eu, deixando o cachorro e o filme pra trás e tudo que poderia acontecer no domingo da quarta série quando ninguém pode sair de casa e ficávamos todos por ali, procurando coisa pra fazer dentro de casa.

eu cheguei lá e a maria não estava (eu falei que o nome da amiga era maria?).

vejam bem, não é que ela teve que sair, não é que estava chovendo e ela havia ficado presa no trânsito (não, pera, muito cedo ainda pra isso). a maria tinha ido pra casa de uma amiga. de outra amiga.

e eu lembrei da minha mãe dizendo que compromisso não se desmarca. e percebi, na altura dos meus nove anos (eu era um ano adiantada na escola), que havia deixado de fazer muitas coisas legais — e que eu certamente preferiria fazer — porque tinha um "compromisso". e que pra maria, e certamente pra mãe da maria, compromisso não só era altamente desmarcável como você não teria a mínima necessidade de avisar o outro, muito menos com antecedência. você pode muito bem deixar o outro bater com a cara na porta. não importa se o outro se organizou, se deixou de tomar sorvete com o tio ou comeu o frango da avó correndo porque tinha compromisso com você. ou se deixou de ver filme e saiu de casa na chuva — gente, uma criança na chuva — porque a mãe lhe disse que compromisso não se desmarca. não importa se o outro se organizou com aquilo. você pode simplesmente não se importar.

talvez a mãe da maria não houvesse lhe dito que compromisso não se desmarca. mas vejam, a maria tinha ido pra casa de uma amiga. e eu também era amiga dela, e mesmo assim ela foi. sabendo do trabalho, sabendo da amiga. e eu voltei pra casa com uma bagunça de indignação e preterência, e devo ter chorado o caminho todo (eu fui uma criança bem chorona). e minha mãe, que também deve ter pensado por que diabos a mãe da maria não lhe havia ensinado que compromisso não é assim, um brinquedo que você não quer mais; que envolve outra pessoa; que é um trato entre amigos, me ajudou a fazer o trabalho em grupo.

e no outro dia, eu tive que por o nome da maria no trabalho em grupo que fiz sem ela. tive é exagero, eu pus porque quis, porque ela era minha amiga. porque ela merecia o prêmio de, enquanto fazia coisas legais num domingo chuvoso, eu ter feito o trabalho em grupo sozinha, depois de ter andado na rua na chuva.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

um início de ano tranquilo pra um fim de ano indecente

e parece que tudo tem voltado à normalidade. aliás, tem tudo voltado a ficar bom — nunca fui lá muito fã da normalidade.
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embora eu ainda não tenha dormido bem e ainda tenha coisas pra por em ordem na casa desde a mudança (em outubro -!!!-).
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e embora eu tenha urgentemente que procurar um médico — qualé a especialidade que põe seu ciclo cicardiano no lugar? porque o meu tá totalmente virado. zombie all day, partying hard all night. não importa o quanto eu tenha (tentado ao menos) descansar a noite ou dado um boost na minha energia durante o dia, minha disposição vai alcançar seu pico, bem, às duas da madrugada.
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não que eu não goste, eu prefiro muito mais, até. mas arrastar o dia nas costas é que não tem sido fácil.
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e eu ainda não me enrolei com prazos (YEY!), não voltei a estudar, mas consegui colocar as leituras em dia e tenho lido até bastante. filme, que é bom, tenho visto pouco, e daí tenho publicado pouco também.
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e por falar em filme, tenho pensado em wha-wha-what comprar uma tv. e em adotar outro gato. vamo ver no que dá.

http://www.snotm.com/



segunda-feira, 4 de novembro de 2013

dirty mind, sexy imagination.

eu achei realmente estranho quando vi hallellujah, do cohen, na trilha sonora do shrek (não por nada, porque live n let die também tava lá e ficou espetacular). daí quando me passaram um link dum coral de crianças cantando, eu comecei a achar que tinha algo de realmente bem errado com as pessoas.

tudo bem que a letra fala em aleluias e espírito santo, mas daí a ignorar partes sobre mulher nua tomando banho, alguém amarrado à cadeira, suspiros e "eu entrei em você" e não perceber que essa música é explicitamente sobre sexo é reduzir demais a interpretação.

ou sou eu que tou extrapolando?

sábado, 2 de novembro de 2013

ainda sobre ontem

porque eu fui dormir e acordei no meio da noite com uma citação de la haine: até aqui, tudo bem. mas não é a queda que importa, é a aterrisagem.

e é assim que vai ser.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

não tá legal não.

desde a semana em que eu me preparei pra mudar, a vida virou de cabeça pra baixo. mudança mais burocracias com imobiliárias, com cartório, com gente que contrata free lancer e não paga,  mais falta tempo pra estudar pra prova de francês e assistir as aulas do coursera, um freela imenso que peguei e meus horários apertadíssimos na agência me deixaram... esgotada.

daí foi um pulo pra celular estragar, os caras da internet demorarem quinze dias pra fazerem minha troca de endereço, as matérias a serem estudadas e o freela irem se acumulando, uma dor de cabeça persistente não ir embora e o ouvido ficar ameaçando inflamar.

estou de casa nova, de estante nova, e não tou feliz.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

mudança, mudanças

tou de mudança. prum apartamento dez portas antes da minha — aham. porque cansei de brigar com imobiliária, porque cansei d'um apartamento virado pra rua e cansei da barulheira da rua.

acho que cansei dessas paredes.

e no dia que decidi mudar, por coincidência, o vizinho da frente tava colocando a faixa de aluga-se. e lá fui eu e parece que vai dar tudo certo.

e tenho pensado nos mais de cem livros que não tenho mais para encaixotar e vi que essa foi a melhor decisão do mundo.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

de volta outra vez

acho que é a primeira vez na história dos blogs mundial que alguém fecha um blog e volta depois de uns anos.

nesse meio tempo, tive dois ou três outros -- todos afetados pelo sintoma de preguicitis de postagem ou esquecimento descarado -- e agora escrevo no ana, leu isso? e comecei uma coluna sobre cinema com os meninos do bobajada. pretendo também descobrir como atualiza essa trem aqui, pois me dá fanico essas coisas todas atrasadas.

no mais, vos deixo com uma foto da frida e com a notícia de que ainda ensaio ver um filme por dia e ler um livro por semana, e às vezes consigo.

c'est ça.





terça-feira, 8 de setembro de 2009

domingo, 6 de setembro de 2009

atualizando ii: a missão

não sirvo pra esta história de blog meixmo, morro de preguiça de atualizar. o que não quer dizer que não tenha visto uma penca de filmes desde a última vez que postei aqui (que, aliás, eu não lembro quando foi), lido pouquíssimo e ouvido muita música.
procurando nos meus becapis e nas anotações, vou tentar fazer um apanhado geral de tudo que eu assisti, com comentários brevíssimos:

combos (a maioria re-assistidos):
el mariachi - desperado - era uma vez no méxico. hey, hey, hey, robert rodriguez é nosso rei! provavelmente é a terceira ou quarta vez que reassisto esses filmes, porque me gusta tequila blanca, e ao rodriguez le gusta um breguerê. o primeiro filme é tão ridículo que é bom. atenção ao première marichi, que é destituido do posto no segundo filme pelo banderas e no terceiro pelo enrique iglesias. c'est la vie.

o silêncio dos inocentes - hannibal - dragão vermelho + manhunter - hannibal rising.
dr. lecter mau como um pica-pau. a jodie foster é melhor clarice starling que a julianne moore, anthony hopkins é imbatível e todas essas coisas que já foram ditas alguma vez. manhunter, por sua vez, foi o primeiro filme (ele é de 1986) em que o personagem hannibal lecter aparece. aliás, manhunter é a primeira versão de dragão vermelho e, se não me engano, ambos têm o mesmo roteirista (até algumas falas são idênticas). a diferença é que, em dragão vermelho, temos o personagem do dr. lecter já bem construído, um tipo mais psicológico e talz. o manhunter é mais violento, interessando-se mais pela história do(s) serial(s) killer(s) em si. hannibal rising conta de onde saiu essa peste, aquela coisa de virgulino lampião: a família morre e o menino fica mau. aliás, aposto que ele já nasceu mau, aquela marca no rosto não me engana.
ah, hannibal é um dos melhores filmes do mundo.

trainspotting - snatch - jogos, trapaças e dois canos fumegantes. já devo ter assistido cada um desses filmes uma meia dúzia de vezes - filme do reino unido é o máximo. jamais vou enjoar de ouvir o brad pitty com aquele sotaque de cigano repetindo "dãg". o trainspotting nos faz ver que nem todo amigo é legal, mas ter amigo é sempre legal, e que cocô de gato pode matar (ainda mais se você for aidético). além do mais, como pode o ewan mcgregor ter feito esse filme e alguns anos depois o moulin rouge? argh. ah, o benício del toro é lindo até com four fingers (tá, essa foi péssima, sorry).

inéditos, baby ;)
across the universe. assisti graças ao renan e, vou confessar: fiquei com preconceito com a namorada do monstrengo do marylin manson e não quis assistir o filme. o pior: fiquei com medo do que as vozinhas de high school music dos atores pudessem fazer com as músicas dos beatles, e fiquei com preconceito porque era musical; vou confessar II: depois que assisti, fiquei com remorso de não ter ido ver across... no cinema. o filme é lindo; vou confessar III: é o único musical do mundo que presta (que drama, meldels).

à deriva. a única vez que fui no cinema nessas últimas semanas :(
tem uma puta cara de filme europeu. fui lá arriscando, porque tinha visto nina, também do heitor dhalia, e adorado. saí do cinema e fui direto ver o cheiro do ralo.

o cheiro do ralo. assistido devido ao fato supracitado, é uma ótima adaptação de livro pra cinema. tão boa que nem deu vontade de ler o livro (não, eu não estou sendo irônica).

e por falar em...

adaptação. indicação do paulo, é o melhor roteiro do mundo. tempos que não assistia uma comédia tão boa.

filme oliental, né?
audition. sabe o takashi miike? pois é. ele é o diretor que não sei porque diabos eu não citei quando falei do three... extremes. esqueçam esse terror japonês de quinta que o zéua pintam pra gente. já tô com uma lista -literalmente- de outros filmes dele pra assistir. quer filmão?

ta na na naaaaaam...
ferris bueller's day off. outro paulo, dessa vez o davi, me mandou um dvd onde, pela primeira vez na vida, eu assisti curtindo a vida adoidado legendado. aí o diretor morreu :(



em tempo: nos tempos idos desse blog eu falei de uma banda que o pedro tinha me indicado e que eu tava ouvindo sem parar. não acho onde eu postei, mas era morphine. esses dias eu tava ouvindo mississipi, do bob dylan, sem parar. como era uma versão, fui no youtube pra ouvir a versão original. vejam como é a mente humana...
mississipi (versão 1) > youtube (versão original de mississipi) > videos relacionados: versão jazz de mississipi
nessa versão, o cara me pareceu muito com o tom waits (aquela voz de quem teve câncer de laringe e tal), e lá fui eu ouvir raindog. no meio de uma música, que não lembro mais qual é, o baixo e o sax me lembraram morphine. há dias não saio mais daí, porque algumas coisas parecem com morphine, mas morphine não se parece com nada ;)

quarta-feira, 15 de julho de 2009

john winchester, ou, como viverei até setembro

domingo assisti ao último episódio de supernatural. a próxima temporada só começa em setembro, e eu fico aqui pensando no sam e no dean olhando assustados praquela luz saindo do chão de onde invariavelmente vai subir o coisa-ruim. pensei em assistir novamente às quatro temporadas passadas, mas meu irmão disse que eu deveria era ser internada.
é importante que fique claro que não é só pelos atores (lê-se jensen ackless *suspiro*) que eu vejo a série. nunca tive paciência pra nada do tipo (filmes partes 1, 2, 3, 20; novelas; livros em tomos; séries e similares), e quando lost começou a ficar viajandão demais, caí fora. mas essa conseguiu prender minha atenção.
e não é só pelos filhos não. (tem também o john winchester, uma mistura de javier bardem com café e conhaque que deu muito certo. com um pai desses, os filhos só podiam sair bem criados)
a série é muito boa mesmo.
mas, meldels. a culpa não é minha se a família é pródiga.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

casa vazia

[as únicas palavras que merecem existir são as palavras melhores que o silêncio]

coréia do sul, japão/ 2004/ kim ki-duk

sábado, 4 de julho de 2009

atualizando...

vi o documentário ônibus 174, de josé padilha; o longa última parada 174, de bruno barreto; um monte de curtas e comecei o curso de história do cinema mundial já no terceiro módulo, por que os dois primeiros são bem no horário do trabalho (ah, se eu não trabalhasse...).
desisti de assistir filmes no cine brasília: ou eu enrolo e perco o filme, ou a noite tá fria demais e eu prefiro vir pra casa mais cedo (coisa que já enjoei de fazer também). aí quando consigo ir falto morrer de calor -ar condicionado é luxo- ou de espirrar com o mofo. =(
vi mais alguma coisa que eu não lembro, e nos cinemas não está passando nada que presta. aguardemos.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

tragédias cotidianas

você acorda atrasada pra levar a criança na escola -que, aliás, ainda não calçou o tênis nem escovou os dentes.
não tem nada pior que acordar e ter que sair correndo. mas tive que fazer, whatever.
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aí vc tropeça na escada na volta, tenta dormir de novo mas o telefone não para de tocar, vai tomar leite e não tem leite (inclusive, nem manteiga), se atrasa na hora de sair e por um milagre divino, consegue pegar o ônibus na hora.
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você se alegra e deus dá um sorrisinho sarcástico. vinte minutos depois, o ônibus quebra. cinco minutos de espera, um bando de animais se acotovelando pra entrar no outro ônibus, até mesmo uma grávida cheia de filhos que acha por bem enfiar a bolsa e a barriga na cara de todo mundo. uma dona me empurra e passa na minha frente, o que faz com que eu sinta ódio dela o resto da viagem. a grávida, que tá sentada, se oferece pra levar minha bolsa, e meu humor pro lado dela melhora bastante.
.
aí você já se acostuma em ter que passar o dia todo com raiva da humanidade e deus dá outro risinho: o cara que vende discos de vinil na calçada tem um beatles duplo (que você não pode descer pra comprar, porque tá longe -beeeeem longe- da sua parada). o filho mais novo da grávida fica te olhando o resto da viagem e sorrindo. quando você desce, ele te dá tchau e fica abanando do ônibus até sumir. no trabalho, os colegas começam a te sacanear no exato momento que você pisa na sala e você ganha chocolates e ri o resto do expediente.
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life goes on, bra!

quarta-feira, 24 de junho de 2009

não há nada que você possa fazer que não possa ser feito
nada que você possa cantar que não possa ser cantado
nada que você possa dizer, mas você pode aprender como jogar
é fácil!

nada que você possa fazer que não se possa fazer
ninguém a quem você possa salvar que não possa ser salvo
nada que você pode fazer, mas você pode aprender como ser com o tempo
é fácil!

não há nada que você possa saber que não possa ser conhecido
nada que você possa ver que não possa ser visto
nenhum lugar onde você possa estar que não seja onde você quer
estar
é fácil!

ALL YOU NEED IS LOVE!

sexta-feira, 12 de junho de 2009

e eis que baxou o são preguiça e eu nunca mais consegui escrever no blogue.

mas assistir filme é bom e o tempo anda frio. e já que o dênis sepol falou no dia dos solteiros e eu sou ainda sou adepta dos relacionamentos com menos de 90 dias de idade, vamos à listagem do que andei assistindo:

a espinha do diabo, do guillermo del toro. bom uma barbaridade.

o homem que copiava
, que eu já tinha assistido e baixei esses dias só pra gravar mas não deixei de dar uma olhada.

diários de motocicleta, idem.

21 gramas, amores perros e babel. todos já assistidos, mas como falamos muito sobre eles no trabalho essa semana, andei revendo umas cenas.

taxi driver, que assisti até faltar meia hora pro fim e desisti. aí o paulo disse que perdi a melhor parte.
ainda estou lendo galeano e ouvindo o disco novo do bob dylan, está ficando cada dia mais frio e daniel não me mandou meus livros.

ob la di, ob la da.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Jensen Ackles e PortaCurtas

e aí já era o fim de semana, né?

como quase todos os meus últimos fins de semana desde não-sei-quando, meus minutos preciosos foram gastos assistindo supernatural, aquela série dos irmãos e tal - um mais bonito que o outro (que é mais bonito ainda)- entonces nada de filmes :(

mas hoje dei um pulo lá no porta curtas, que eu tinha esquecido de linkar aqui, mas já o fiz :-B, e andei vendo umas coisas bem bacanas (e umas ruiiins de doer). pra evitar a fadiga, vou linkar um dos meus curtas favoritos, espalhadas pelo ar.

e, sim, a GRACINHA do jensen ackles.

[suspiro. corta]


domingo, 7 de junho de 2009

eduardo galeano

eu estava bem feliz lendo sêneca. na verdade, eu tava bem feliz por ler sêneca, mas bem preocupada com os lances de a vida não é curta, você que é inútil ou quem acha que a vida não é boa o suficiente é porque não é bom o suficiente pra viver que enchem o livro do camarada aí (até onde eu li, pelo menos).

eis que me aparece um conto de eduardo galeano, umas poucas linhas, rapidinhas mas tão cheias de beleza, tão sutil, tão sublime, que eu parei o sêneca, desci na leitura e comprei o livro dos abraços, que se eu pudesse escolher estaria lendo desde os meus quatro anos de idade. e enquanto eu leio galeano, dando prosseguimento ao quinze páginas por mês, extensão de um livro em míseros sete dias, fica aí o conto e o pequeno diego.

Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar.
Viajaram para o Sul.
Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.
Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos.
E foi tanta a imensidão do mar, e tanto o seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.
E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai:

- Me ajuda a olhar!

quinta-feira, 4 de junho de 2009

assisti as virgens suicidas há uns três dias, mas estava numa preguiça maldita de escrever sobre ele aqui no blog. mas acontece que anteontem eu comecei a ver wall-e e dormi. e hoje estava assistindo vermelho como o céu, mas o telefone de casa não parava de tocar. quando finalmente cheguei aos quarenta minutos de filme, o áudio sumiu (vou socar o cara da locadora). aí desisti, amanhã retomo. o pior é que eu tava gostando do filme.
mas en-fim.
primeiro filme dirigido por sofia coppola, as virgens suicídas -ao contrário do que eu imaginei- é um filme sobre adolescentes, e não para adolescentes. a direção é bem feita e o filme atende ao que se propõe, embora algumas vezes o ritmo se torne cansativo e a lenga-lenga se torne chata.
a história é contada pelos quatro vizinhos que acompanharam a tragédia da família lisbon.
tudo começa quando a mais nova das cinco filhas -com idades que variam de 13 a 17 anos- comete suicídio. a partir daí, as tentativas dos pais -rígidos ao extremo- de trazer de volta a calma e a tranquilidade que eles supunham haver na familia vão fracassando uma a uma, e culmina no suicídio das outras quatro meninas. o mais engraçado é que os pais nunca, jamais, sequer cogitam assumir a responsabilidade da infelicidade generalizada da sua prole, que foi proibida inclusive de ir à escola para não ter contato com rapazes. ouquei, as meninas não são inocentes e parecem querer de certa forma se vingar dos pais, apesar da relação familiar não ser de forma alguma violenta. mas toda a rigidez e castração por quais as meninas passaram podem ser a razão de tudo. além da adolescência em si, que é uma fasezinha dos infernos.

terça-feira, 2 de junho de 2009

o que fazer em caso de incêndio? é uma comédia alemã nos moldes de adeus, lênin (apesar dêu só ter visto essas duas). leve sem ser superficial, o filme conta a história de seis amigos anarquistas que na década de 80 moravam juntos num apartamento e, entre tantos outros protestos e modos de resistência, plantaram uma bomba caseira numa mansão abandonada. depois do acidente com um dos menbros do gruppe 36, que acaba perdendo as pernas, o grupo se separa e cada um segue rumo muito diferente daqueles sonhados por eles durante os tempos de anarquia. mas, 15 anos depois, a dita bomba explode e eles são obrigados a se juntar novamente para não serem pegos pela polícia. nisso, cada um acaba encarando seu presente e tendo que pensar no que tem feito de suas próprias vidas.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

mariposas e borboletas

a língua das mariposas - que em português deveria se chamar a língua das borboletas, mas enfim...- é um filme de 1999 do diretor espanhol josé luis cuerda, baseado em três contos do escritor galego manuel rivas.
ambientado na galícia pouco antes do início da guerra civil espanhola, o veio da história conta o relacionamento do o menino moncho -que tem por volta de 7 anos- e seu professor, don gregorio. moncho está apavorado com a ideia de ir à escola, por ouvir de seu irmão que os professores batem nas crianças por qualquer motivo, e planeja até mesmo ir para a américa para fugir das aulas. mas quando conhece seu professor, um senhor sensível e inteligente, às vias de se aposentar, moncho se apaixona pela escola e pelo aprendizado.
sempre às voltas com poesias, natureza, insetos e a vida em si, o professor se preocupa, mais do que ensiná-los a fazer contas, em mostrar aos garotos a beleza da vida e as sutilezas do mundo que os rodeia.
(o professor revela aos meninos a existência do tilonorrico, animal australiano que dá uma orquídea à fêmea para conquistá-la e que as borboletas possuem uma "espiritrompa", uma tromba em espiral para sugarem o néctar, e que só pode ser vista no microscópio.)
o relacionamento da criança e seu maestro é de uma sensibilidade tocante, compartilhada pelos pais do garoto. mas, com as preocupações crescentes acerca da guerra, as relações interpessoais na pequena vila onde eles vivem vai se deteriorando até o fim. o pai do garoto, e todos os outros republicanos do local, tiveram que negar suas posições políticas. para se protejerem, os vizinhos e amigos começam a se acusar entre si, despedaçando relações e ferindo sentimentos, colocados abaixo do orgulho pessoal e do egoísmo.
ao final (eu encho o texto de spoiler sim!), alguns são presos, dentre eles don gregorio, que já havia se aposentado mas continuava sua amizade com o menino e sua família. ao gritos de "comunistas", "ateus", "vermelhos", eles são colocandos em um caminhão e levados pelo exército. chorando, o pai do menino acusa o professor de comunista. correndo junto com os outros meninos, moncho joga pedras no caminhão, gritando para professor: rojo! ateo! espiritrompa! tilonorrico!, mostrando que o que aprendeu com ele, o que passaram juntos, vai persistir apesar da situação política ou dos acontecimentos externos.
o filme termina com a frase começou a guerra civil.
ir ao cinema nos dá todo direito de chorar, em qualquer das cenas do filme.