domingo, 31 de maio de 2009

começo extremo

não lembro qual foi o assunto que surgiu entre um colega de trabalho e eu e levou à esse filme. lá pelas tantas ele comentou e eu fui atrás pra saber de qual era (inclusive, o filme casa vazia também foi recomendado por ele, mas até hoje não consegui encontrá-lo).
dividido em três partes, dirigidos cada uma por um diretor de um país diferente (hong kong, coréia do sul e japão), three... extremes (2004) apresenta três situações realmente extremas, sem nenhuma ligação entre si, como se fossem três contos de horror. ou melhor, nem tanto de horror, mas macabros mesmo. mas nada de direção tosca, cenas asquerosas e fotografia de quinta: a proposta de se apresentar situações extremas de forma estética foi magistralmente cumprida. se não fosse tão hardcore, era um filme bonito.
entre assitir a primeira e a última parte devem ter se passado bem um mês. meu irmão começou assistir comigo e não chegou nem no terceiro bolinho de feto. a segunda parte eu só consegui ver inteira na segunda tentativa, e a última até que foi bem rapidinha. se todos os filmes fossem assim, estaríamos agora no começo da odisseia um filme por mês, de revirar o estômago (por falar em estômago, tem aquele filme com esse nome, acho que vou assistir). mesmo assim, foi um dos melhores filmes que eu vi esse ano, pelo menos até agora.
a primera parte, dumplings, de fruit chan (oooobviamente, o nome do diretor foi copiado do google), conta a história de uma ex-atriz de meia idade que fora linda-rica-bonitona e agora, com a passagem do tempo, está desesperada com a perda da juventude (e do interesse do marido, que tem uma amante mais jovem). ela procura tia mei, conhecida por ter uma receita de rejuvenecimento imbatível: bolinhos (dumplings) feitos com fetos provenientes de abortos feitos pela própria tia mei ou na clínica em que ela trabalhava. mas, à medida que a atriz se angustia por efeitos mais visíveis, o preço vai se tornando alto demais. aliás, pra ela, nenhum preço é alto demais para se ter a juventude de volta; aí se desenrola uma história que envolve abortos, assassinatos, traição, incesto, tudo tendo como força motriz a vaidade ao extremo.
o próximo segmento é do diretor de oldboy (aliás, filmaço!), park chan-wook -esse eu sabia mesmo- que apresenta uma história pra lá de bizarra com o argumento parecido com o daquele filme: um diretor de cinema bem-sucedido e sua mulher são repentinamente sequestrado por um cara que eles não têm ideia de quem seja e nem por quê está fazendo isso. a mulher do diretor, que é pianista, está sentada ao piano totalmente (totalmente mesmo) amarrada, com os dedos colados (provavelmente com superbonder) nas teclas. o sequestrador maluco mostra ao cineasta uma menininha de uns oito anos e o obriga a matar a criança. a cada dez minutos que passam sem que o cineasta consiga fazê-lo, ele corta um dedo da esposa. enquanto isso, vai contando sua história de vida. a cena é cheia de sangue, choro e humor negro, onde vão se mostrando os defeitos morais de cada um dos personagens.
a terceira e última parte é a melhor entre as três se formos pensar em argumento + roteiro + direção + fotografia. o resultado é um efeito sufocante de pesadelo constante, onde não sabemos o que é real e o que é imaginação. uma única e rapidíssima cena -a última, magnificamente pensada- desvenda toda a realidade. cut conta a história de uma famosa escritora que é atormentada pelas visões da irmã mais nova, morta em um incêndio causado pelo ciúme entre elas quando trabalhavam como assistentes de um mágico. as visões com a irmã, um pesadelo recorrente e imagens delirantes dão uma agonia horrorosa, o que só mostra o quão bem feito é o filme.
__

apesar de já ter umas semanas que eu assisti trhee... extremes, pensei em começar por ele por ter sido o primeiro filme que assisti depois de ter pensado no projeto, e por ser um filme diferente do que eu estou acostumada a ver. trash sem ser tosco, incômodo sem ser pesado, um filme de arte sem ser pedante nem hermético. quase um filme delicado.


ps: esperando pacaraio o anticristo do lars von trier.

sábado, 30 de maio de 2009

projetos

depois de décadas de ajuntamento de livros, filmes e músicas, vamos começar los grandes proyectos: Um Filme por Dia e Um Livro por Semana.
também serão empreendidos um projeto no mesmo esquema, relacionado à música (mas ainda não me decidi qual o esquema, uma espécie de "um álbum por dia" ou "um artista por vez", nosso departamento projetístico está trabalhando em cima disso); o projeto de até o fim do ano tirar algo do violão que não sejam calos nas mãos e cordas arrebentadas, alguma coisa relacionada à fotografia (coimalinda!) e aprender decentemente espanhol. e, obviamente, outros projetos serão incorporados à lista. e se algum deles chegar pelo menos à metade, poderemos considerar isso um grande avanço da minha parte.

pois bem.

profundamente dedicados à ociosidade luminosa e produtiva e ao bom aproveitamento do tempo e da vida, os assim chamados "projetos" consistem em, dois pontos

a) como o nome já diz, o Um Filme por Dia irá se dedicar, ou eu irei me dedicar, a assistir todos os filmes que tiverem a sorte de passar pelos meus olhos (vou tentar me controlar e não assistir o labirinto do fauno mais mil vezes). para isso contaremos com um grande acervo de filmes baixados, copiados, backupiados, comprados, locados e emprestados, um por dia -na medida do possível- que serão comentados aqui nesse moribundo blog.
sim, aceitamos sugestões :-P

b) Um Livro por Semana: a book per week, aiquitesón, é um ótimo motivo para eu começar a ler os livros que eu comprei e ainda não li. o único motivo é o prazer em si, já que isso de ler livro obrigado é o pior castigo do mundo e eu nunca precisei disso. o projeto Um Filme... (escrevendo igual jornalista, ui) já existia, e é fruto do anteprojeto musical da mesma espécie (e ainda sem nome/ planejamento). Conversando com Lelê Teles, me veio a idéia de fazer o mesmo com livros

abre parênteses:
eu: (...) eu pouco tenho lido, mas to comprando tanto livro que mal tá cabendo em casa!
ele: os livros nos encantam e nos educam até mesmo com a sua presença, além de ter o poder de seduzir os outros.
(achei lindo isso)

fecha parênteses

o esquema de leitura é o seguinte: nenhum. posso começar lendo livros por ordem alfabética, por ordem de tamanho, por ordem inversa de tamanho ou por cor da capa, whatever. não vai adiantar nada mesmo, todo hora vão aparecer regras novas e sumir outras (quem gosta de calvinbol levanta a mão).

e por falar em comprar livros, daniel lopes, aquela fofura, me vendeu as cem melhores crônicas, do mário prata; o queremos tanto a glenda, do cortázar; o granta, volume 3; o amor e lixo, do ivan klíma e ainda vai me mandar de brinde o tre cavalli, que vai de presente pro camarada marcos lima. tudo isso por um preço pra lá de bão. quem quiser testar, vai lá na prateleira dele na ev.

então é isso, vamos ao primeiro filme.


ps: o lance é comentar filmes e livros, discordar, concordar ou confundir. pra fazer crítica profunda e bem fundamentada têm outros seres se dedicando que não eu.

psii: comecei ontem o sobre a brevidade da vida, do sêneca (o diderot, já no século xviii e antes que caetano pudesse dizer algo, tascou logo um "esse tratado é lindo", no melhor sotaque baiano), vamo ver o que dá.

psiii: baixei o the complete recordings, do robert johnson. cavernoso. o hômi falou com o capeta mesmo, certeza.

psiv: meu irmão até que enfim aprendeu o que é bom da vida e vendeu sua alma ao rock n' roll. ou não. o fato é que ele me apresentou a kiss fm tem algumas horas, e eu já ouvi kiss, ac/dc, heaven & hell e led zeppelin, então vale a pena ;-)

domingo, 25 de janeiro de 2009

Adultos [ Vladímir Maiakóvski]

Os adultos fazem negócios.
Têm rublos nos bolsos.
Quer amor? Pois não!
Ei-lo por cem rublos!
E eu, sem casa e sem teto,
com as mãos metidas nos bolsos rasgados,
vagava assombrado.
À noite
vestis os melhores trajes
e ides descansar sobre viúvas ou casadas.
A mim
Moscou me sufocava de abraços
com seus infinitos anéis de praças.
Nos corações, nos relógios
bate o pêndulo dos amantes.
Como se exaltam as duplas no leito do amor!
Eu, que sou a Praça da Paixão, *
surpreendo o pulsar selvagem
do coração das capitais.
Desabotoado, o coração quase de fora,
abria-me ao sol e aos jatos de água.
Entrai com vossas paixões!
Galgai-me com vossos amores!
Doravante não sou mais dono de meu coração!
Nos demais - eu sei,
qualquer um o sabe -
O coração tem domicílio
no peito.
Comigo
a anatomia ficou louca.
Sou todo coração -
em todas as partes palpita.
Oh! Quantas são as primaveras
em vinte anos acesas nesta fornalha!
Uma tal carga
acumulada
torna-se simplesmente insuportável.
Insuportável
não para o verso
de veras.

sábado, 24 de janeiro de 2009

festas x(

Vou dar três motivos pelos quais eu não gosto de festas...

Primeiro: nunca vão estar lá as pessoas que você quer que estejam
Segundo: um desmembramento do primeiro: as chances de ver exatamente quem não quer ver são imensas e proporcionais as de que a maioria dos convidados seja composta por gente chata
Terceiro: a música. Nunca, em nenhuma ocasião ou hipótese, a música vai me agradar (é claro, tenho que pensar em mim. pouco me importa se os outros gostam ou não de Cher).

Claro que faltou dizer que não suporto gente bêbada, gente atirada, gente efusiva, parentes, gente que finge que te ama e gente que resolve colar em você pra contar aquelas coisas que ninguém quer saber.

Na verdade, não sei o que se faz em festas. A música não é a que você gosta, ou pelo menos não é a que você quer escutar aquela hora. Você não sabe dançar (tá,e u falo por mim) e não tá a fim de aprender. Pra mim, tudo não passa de uma desculpa pra panelinhas: você vai com quem quer, fica a festa toda conversando só com os que te interessam (ou que te chateiam menos) e sai com quem chegou. Fim.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

As três Irmãs, Checov

"Depois de nós, os homens viajarão de balão; as roupas terão mudado de forma. descobrirão, talvez, um sexto sentido e o desenvolverão, mas a vida continuará a mesma, uma vida difícil, plena de istérios e feliz. Daqui a mil anos o homem suspirará como hoje: 'Ah! Como a vida é dura!'. Mas, da mesma maneira de hoje, terá medo e não quererá morrer.
(..)
Não será somente por mais duzentos ou trezentos anos, mas ainda por um milhão de anos. A vida continuará como tem sido até agora. Ela não varia, é constante,s egundo suas próprias leis, que não nos dizem respeito ou, pelo menos, não conheceremos jamais. Os pássaros migratórios, as cegonhas, por exemplo, voam, voam, e sejam quais forem os pensamentos, grandes ou pequenos, errantes em suas cabeças, elas continuarão a voar, sem saber por que e para onde. Os pássaros voam e voarão, independentemente dos possíveis filósofos que surjam entre eles... e poderão filosofar à vontade, contanto que voem..."


fala de Tusenbach em AS TRÊS IRMÃS, de Anton Checov

domingo, 11 de janeiro de 2009

Ora, Bola... :-)

Oy! Oy! Oy!
Mira aquella bola,
la bola,qe rebota en la cabeza de ese niño

¿Quién es ese niño?
Ese niño es mi vecino

¿Dónde vive ?
En aquella casa.

¿Dónde está la casa?
La casa esta esta en la calle.

¿Dónde esta la calle?
En la ciudad

¿Dónde es la ciudad?
Entre las montañas

¿Cuales montañas?
Montañas de los andes.

¿Y donde estan los andes?
En América del sur continente Américano
bañado por los mares en tierras del centro
de todos los planetas.

¿Y cómo es un planeta?
Un planeta es una bola
qe rebota en el cielo..

domingo, 14 de dezembro de 2008

The 60's way of life...

Buy! buy!

Says the sign in the shop window.

Why? why?

Says the junk in the yard...

domingo, 3 de agosto de 2008

    EU, O NARRADOR, SOU TEORIA.

        Nasci na Gabela, na terra do café. Da terra recebi a cor escura de café, vinda da mãe, misturada ao branco defunto de meu pai, comerciante português. Trago em mim o inconciliável e é este o meu motor. Num Universo de sim ou não, branco ou negro, eu represento o talvez. Talvez é não para quem quer ouvir sim e significa sim para quem espera ouvir não. A culpa será minha se os homens exigem a pureza e recusam as combinações? Sou eu que devo tornar-me em sim ou em não? Ou são os homens que devem aceitar o talvez? Face a este problema capital, as pessoas dividem-se aos meus olhos em dois grupos: os maniqueístas e os outros. É bom esclarecer que raros são os outros, o Mundo é geralmente maniqueísta.


 

Pepetela. Mayombe. Angola, 1979.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Bobdylaning

Anna: Marcos!

Marcos: Uau! Bob!?

Anna: yep, baby. what's up, dude?

Marcos: I'm okay, man.

Could u play a song for me?

Anna: no, man, i can't. sorry. Call Mr. Tambourine Man to play a song for you in a jingle jangle morning, right?

Marcos: Mabe later, babe... You see, I'm not sleep and there's no place I'm going to.

Anna: I see, I see... my senses have been stripped and my hands cant feel to grip

Marcos: And how does it feel?

Anna: man, I'm no good... I feel like a complete unknown

with no direction home, see?

Marcos: Let me guess... Just like a rollig stone?

Anna: YEP!

My weariness amazes me, I'm branded on my feet, I have no one to meet... :-(

and the ancient empty street's too dead for dreaming...

I wanna bring it all back home

Marcos: To me it seems as if you were stuck inside a mobile with the Menphis blues (again)...

Anna: everything is strange... I run and I race but it's not too fast a pace

I dont have consolation, but i'm not there, i'm gone. It's all about confusion, man...

Marcos: Strange...

Oh where have you been my darling young one?

Anna: I see a diamond higway with nobody on it!

do you know where? where black is the colour, where none is the number =T

Marcos: And who did you meet my darling young one?

Anna: i met a young child beside a dead pony :-(

Marcos: Bob, you're amazing! If not for you,

I couldn't find the door,

Couldn't even see the floor,

I'd be sad and blue,

If not for you.

Anna: it aint me, babe, sorry

everything inside me is made of stone

Marcos: In this case, it's all over now, babe blue.

Anna: but you are gonna make me lonesome when you go :-(

okay, it hurts me too, but i'd hate to be with you on that dreadful day

I am a lonesome hobo, see?

Marcos: Yeah...

Ok, You're a big girl now.

Anna: In the summertime, in the garden... when we meet again introduced as friends... please! don't let on that you knew me whe i was hungry and it's your world

Marcos: You're no good.

Anna: No, I'm not, man… I wake every morning, fold my hands and pray for rain

i got a head full of ideas that are driving me insane

Marcos: Are you going to Acapulco, Bob?

Anna: YEAH! HEAVY AND BOTTLE OF BREAD!

Marcos: And Rose Marie is just set there waitin' for you to come...

You're lucky, Bob.

Anna: I don't believe in you! she acts like we never have met!

Marcos: Uai!

She acts just like a woman!

Anna: but she breaks just a little girl; she makes me a fool such as I

Marcos: And it's like a hard rain is gonna fall...

Anna: there must be some way out of here...

Marcos: And you don't no where it is... Don't you mr. Bob?

Anna: you're right, I don't :-(

and I never gonna be the same again

but i'm on the road, again, pledging my time...

I got a poison headache but I feel alright

Marcos: Got no time to think?

Quem te viu,quem te vê, Bob. The times they are a-changing...

Anna: I cant be the last to leave, man

I'm hoping you come through, too. we're obviously two believers, but like Louise always says: "you cant look at much, can ya, man?"…

Marcos: No, no, no, it ain't me, Bob.

Anna: what can I do for you? when you gonna wake up?

by the way... where are you tonight, hã?

Marcos: I'm going to have some fun.

Anna: the road is long... can you please crawl out your window? there's an idiot wind blowing every time you move your mouth...

Marcos: Ok I'll walk into my room.

Anna: you're just a man on the Street, brother, a man in the long black coat

Marcos: The wicked messenger?!

Anna: with god on your side...

Marcos: and no direction home

Anna: take it easy, ain't no man righteous, no not one, nor these ten thousand men all dressed in white

Marcos: God knows, Bob.

Anna: I won't come here no more if it bothers you, sir

Marcos: It's not that, Bob.

It's just that I'm not the one you're looking for.

It ain't me, Bob.

Anna: you can say what you want, dude, but the next time you see me coming, you better run!

Marcos: I'm a man of constant sorrow...

If I'd know this before, Honey I never would have come.

Anna: to you, death is quite romantic, right?

Sometimes I think about you, guy, is it true that you think of me too?

Marcos: Sure, dude. Everytime I think of you my mouth makes "lalalari, lalalari"...

Bob.

Time passes slowly up here in the daylight

by I have to go to work.

Anna: Take a big yellow taxi, man

and good lucky

Marcos: (The one wich goes to Acapulco?)

Anna: exactly

Marcos: Ok

Anna: go 'way, little boy

Marcos: We'll see any day now.

Bye and bye

Anna: Bye, babe

and, If you see her, say hello

Marcos: Ok. lay down your weary tune.

sábado, 31 de maio de 2008

Cabelos e Cigarro
















.tão aí duas coisas que SEMPRE me prendem a atenção.

Do You Mind?

"Ah, você é a Anna Raíssa?!"

Pode parecer estranho, mas ainda hoje quando escuto essa pergunta me assusto. Não se pode prever o que vai vir depois do "sim, sou eu", aí pode estar o motivo do susto. Eu ouvia a pergunta algumas vezes, como todo mortal, mas depois que entrei na UnB a pergunta ficou mais freqüente e às vezes é mesmo diária.

Não sei que diabos meus amigos andam dizendo de mim por aí, ou que que eu mesma ando aprontando. Eu tô que converso com alguns conhecidos, e pá, um dos amigo-do-amigo-dos amigos dispara: ah, é você a Anna Raíssa?. Estou eu na sala de aula, o professor faz a chamada e diz sem nenhum entusiasmo "Anna Raíssa Guedes..." e alguns pares de olhos se voltam pra mim. A partir disso, as bocas desses mesmos pares de olhos sorriem e me cumprimentam toda vez que me vêem. Na fila do IL, eu assinando meu nome e um cara de olho comprido. Olha pra mim e RÁ!. Não resisto, minto. Não, não sou eu não, mas eu conheço a Anna Raíssa. Pô, já ouvi falar pra caramba dela, é, eu também já. Parece que ela conhece muita gente, porque eu sempre escuto falar dela. É...

Pode não parecer, as pessoas podem achar que é brincadeira minha, charminho, sei lá. Mas eu MORRO de vergonha, fico sem jeito, com cara de mané. Aí fica engraçadíssimo, a pessoa lá quicando e eu lá querendo um buraco pra me enfiar.

Whatever.

Estava eu lá numa batucada do CALET, alguém me pede um isqueiro emprestado (pedir isqueiro emprestado a quem não fuma, ai ai ai). Me virei prum cara sentado atrás de mim - uma figura interessantíssima, by the way - pedi o isqueiro, ele me emprestou e quando eu fui devolver, seu nome? Raíssa. Anna Raíssa, o seu? AH! Anna Raíssa é você?

Jeeze...

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Gente, Gente

Às vezes eu acho que seria capaz de suportar uma crise de rim sem que qualquer pessoa ao meu redor percebesse. Não chamaria isso de mau caráter ou estoicismo, pode ser só auto-preservação. Não sei se saberia passar por qualquer incômodo em público, e não me sinto confortável quando alguém se expõe de qualquer maneira. Não consigo lidar com o desconforto alheio, com a falta de tato alheia e tampouco com as variações alheias; penso que cada um deveria guardar-se pra si, sem que os outros fossem de qualquer forma responsabilizados ou expostos a sentimentos e situações que não são suas.

Custa às pessoas serem respeitosas ou agradáveis, falta-lhes uma certa sensibilidade para tratar com o outro. Estamos numa época em que as pessoas se expõem demais ou se travam demais, uma época em que não é incomum sermos encarados como um perigo para o outro ou julgados impiedosamente. Numa época em que as relações são burguesas, assépticas e hipócritas. Numa época em que a frustração se veste de distância ou de não-preocupação, cala fundo e transforma os atos.

O tratamento dado a um ou a outro depende do humor de quem trata, e os pesos e medidas são vários e variáveis. O conceito que te é dado é indelével, mesmo que se prove que você é exatamente o oposto do que pensavam de ti no início. Tudo é julgado logo de início, tudo é jogado em caixas e quebrado para que caiba. Os conceitos são estreitos e impiedosos. Todo mundo tem que ser isso ou aquilo, ninguém pode ser tudo ao mesmo tempo. Ninguém muda, e se muda não é visto com bons olhos. Todos têm que ser brancos bonitos cristãos bem sucedidos financeiramente fãs do Chico Buarque antitabagistas heterossexuais corretos defensores da moral da ordem e dos bons costumes. Ecologia é coisa quem não liga pro progresso e os Direitos Humanos servem para defender marginais. Se você mora em Brasília, tem que saber Direito, ter carro e estudar pra concurso, se você mora em São Paulo é o bem sucedido, se mora no Rio é Menino. Tudo bem colocado, bem encaixado.

Alguns prezam por esses e outros conceitos, e têm alguém preso no porão há mais de vinte anos. E eu vou ler Sartre pra manter minha sanidade.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

momento ego

Agradeço do fundo do coração, Dudu, pela poesia vinda em torpedos numa noite de pizzaria sem você...
_________________________
LONGE (OU ANNA)

Saudade doce:

De café,

De beijo,

De cheiro,

De toque.

Saudade pele:

Colo,

Seca,

Riso.

Do rosto,

Dos cabelos:

Que ficam

Que vão.

Saudade água


De puro sal.

De Eduardo Vasconcelos pra esta que vos fala.

de gente sozinha e música

Engraçado, depois de passar uma manhã quase toda ouvindo todas as versões que consegui encontrar de I Wish You Were Here (a do Pink Floyd, não a dos Bidis), comecei a achá-la muito parecida com Nowergian Wood (o livro, não a música). Há uma multidão de gente sozinha escrevendo e compondo sobre solidão...

Norwegian Wood II

356 páginas muito boas e um último páragrafo de 6 linhas imprestável.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Norwegian Wood

Eu simplesmente não consigo ir pra frente com a leitura da droga do Norwegian Wood, porque toda vez que eu o pego pra ler, dispara a música na minha cabeça e não pára de tocar.
O pior é que é uma música que eu adoro. Tô ficando atormentada.

sábado, 19 de abril de 2008

livros

Estou lendo dois romances que têm muito em comum (e isso nada tem a ver com eles em si): Norwegian Wood, do japonês Haruki Murakami e O Perfume, do escritor alemão Patrick Süskind. Uma das coisas que os ligam é o fato de serem autores novos para mim (assim como a literatura japonesa também me é nova). A outra, é de terem um enredo completamente estranho ao meu gosto de leitora. O primeiro –que acabei de começar, então ainda não posso julgá-lo em nada que não seja meramente a “capa”- se passa no final dos anos 60 e conta a história de um jovem de 20 anos que vai morar em Tóquio para estudar na Universidade –algo que me lembra em muito O Apanhador no Campo de Centeio, vamos ver até aonde a parecença vai. O segundo é a história de um serial killer nascido na Paris fedorenta do século XVIII e que percebe que pode manipular as pessoas através do olfato.

Livros assim geralmente não me chamariam a atenção. Aliás, nem a encadernação deles me chamaria a atenção. O Perfume faz o tipo clássico sisudo, na capa azul marinho dura com cara de coleção. A edição que a Objetiva fez para Norwegian Wood segue o estilo modernoso, com imagem de gente e círculos e quadrados sobrepostos, meio preto-e-branco, meio colorido. Histórias de serial killers ou jovens solitários apaixonados não me levariam a ir mais além num livro, mas resolvi –meio inconscientemente- dar uma colher de chá para esses dois (ou para minha experiência com os livros). Outra coisa que coincidiu foram as datas: ambos os livros são da década de 1980 e, se eu não me engano, minhas incursões literárias por essa época são bem escassas.

Enquanto eu faço alquimia com as minhas leituras, os teóricos ficam lá largados. Ah, dane-se. Não é sempre que os livros mandam que a gente os leia.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Vizinhança

Maconha. Toda vez que passo pelo 101 e sinto esse cheiro forte de um milhão de incensos misturados já posso adivinhar. O vizinho do apartamento em frente tá pegando a mulher na porta, será que não vê que o vidro é quase transparente? Vai ver que viram sim; quase começo a rir, e subo as escadas mais depressa. Da casa dos irmãos vem o som irritante do violino e um cheiro bom de pão. O cheiro, aliás, pode estar vindo do saco de papel que trago da padaria. Saco de pão, mochila, bolsa e livro nas mãos, como vou achar a chave? Passo antes pela porta aberta do meu vizinho de frente, no terceiro andar. A porta entreaberta deixa ver um ambiente que me parece marrom e um ar de museu, brrr.

Abro minha porta: cadeira cheia de livros; mais cadeira e mais livros. A bagunça da mudança recente, ou não tão recente, mas a bagunça da falta de tempo de desfazer a mudança. O computador, cadernos, mala de roupa, papéis sobre a cama; o abajur aceso desde a semana passada, quando saí. Me estiro na cama, tiro os tênis com os pés. Lá de baixo vem as risadinhas dos vizinhos da porta de vidro e o violino da irmã. Lamento a sorte dos que vão escutá-la na igreja. Alguém cozinha feijão, e o cheiro entra vindo do corredor. Carros correm lá embaixo, e vão se afastando a medida que o sono vem...

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

The Silver Surfer

Antes de mais nada quero avisar aos senhores que eu, que normalmente não entendo nada de nada, entendo menos ainda de quadrinhos. Mas conversando com um colega essa semana, percebi que não estou só no ramo do “amante desinformado”, e que é até bacana conversar com quem sabe tão pouco quanto a gente, porque enquanto se googla a informação (que ele não me leia...), vai se fixando coisas que normalmente demoraria um tempo mais pra se reter no cérebro.
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O lance é que, fora os Groo da infância, a Turma da Mônica, e umas tiras do Quino, Laerte, Angeli, Glauco, Dik Browne, Bill Watterson, Henfil e Schulz da vida, eu até hoje não consegui passar de meia dúzia de X-Men, uns Batman, algumas coisas do Milo Manara e volta e meia um Alan Moore ou um Frank Miller.
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Mas no ano de 2007 me aparecem algumas histórias do Sin City, aí eu engatei no V for Vendetta e fui catando umas graphic novels por aí e por acaso fomos parar –eu, Zélia e Marcos - no Festival Jodorowsky do CCBB.

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Touchè! Acabei percebendo que a minha ignorância no assunto é maior do que eu pensava, e quiçá infinita.
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Mas uma luta não travada é uma luta perdida! E em meu socorro eis que surgem Marcos Lima e seu super O Surfista Prateado, do Stan Lee. Arte, quadrinho, filosofia e cérebro em 40 e poucas páginas.

And here we go ;-)
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Em tempo:
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Música: 16 toneladas, a original e com o Funk Como Le Gusta .