segunda-feira, 12 de junho de 2006

Somos todos boçais

Ai meu deus. Tem hora que não dá, não mesmo.
A coisa mais legal que eu vi esse final de semana foi o Sidney Magal dando uma entrevista a uma loirinha água-doce enquanto jogava Playstation 2. A TV está cada vez mais boçal, e a população tá tomando esses hábitos horrorosos também. Mas não é só a TV burra que é boçal. Todos nós somos, vejamos bem. É só prestar atenção um pouquinho e vamos perceber em nós às vezes não só um traço de boçalidade. Dependendo do grau em que nos encontramos, podemos ser até uma hachura inteira de boçalidade à flor da pele.
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Primeira análise: Sexta-feira fiquei um tempão discutindo com um colega, porque ele gosta (na verdade tem uma admiração horrenda por ela) da pior professora que eu já tive naquela UnB (fatalmente na FE), professora essa que também é uma boçal. Ai, santa margarida, eu sou boçal.
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Segunda análise: A pessoa que escreve dois textos ao mesmo tempo, tomando-se por base (ou "a grosso modo") a quantidade boçal¨ de parênteses utilizados, o que forma quase um entretexto.
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Outra análise: Programa de TV de Domingo (leia-se 'perda de tempo') em que as pessoas levam seus bichinhos para apreciação do público. Temos um par de ferrets que gastam por mês quase R$500.00 (preciso lembrar que isso num país onde a maior parte das pessoas não recebe nem isso por mês pra sustentar casa e filhos?), uma cabra vestida de noiva que precisa de um companheiro (ele deve ser de boa família e querer compromisso sério), um cachorro que chupa o dedo (dos outros, óbvio), um carneiro que mora num jardim do tamanho da minha casa e um calango tatuado que cria uma iguana.
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Entreanálise: A dona da formosa cabrinha aí de cima chorando no programa por que não tem como alimentar seus vinte e tantos animais de estimação. Pede ajuda e chora como quem vê um filho passando fome.
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Mais uma: A pessoa ter vontade de assistir um filme só pra ver o Antonio Banderas dançando. Mas é o Antonio Banderas.
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Quinta análise: Top 5. A não ser, é claro, que você tenha assistido High Fidelity. Aliás, quer coisa mais boçal do que fazer alguma coisa só porque alguém no cinema fez?
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Análise meia-dúzia: Falar que um cara grande (do tipo o maior teórico da literatura no Brasil) não escreve nada, é um charlatão ou coisa parecida, só pra alguém achar que você, apesar de chato, asqueroso, imbecil e idiota tem o mínimo de inteligência pra manter a coluna vertebral ereta.
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Análise sétima: brigar pra ver quem vai pagar a conta telefônica...
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Oitava análise: Meia hora discutindo a ordem numérica de 1-2 só porque alguém gosta mais do nove.
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Nueve, nueva: Aceitar as coisas do jeito ques estão só porque não se tem coragem pra mudar. Ou pra reclamar.
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Décima, mas não última: chupar ossinho de carne de vaca. Costela.
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¨"Boçal -4. muito grande; enorme, descomunal, imenso [etc.]" (Houaiss)

terça-feira, 16 de maio de 2006

À um pessimista desenganado, e especialmente à Donna Z.

Represéntanse la brevedad de lo que se vive y cuán nada parece lo que se vivió
Ah de la vida!... Nadie me responde?
Aquí de los antanõs que ha vivido!
La fortuna mis tiempos ha mordido,
Las horas mi locura las esconde.
Que sin poder como ni adonde
la salud y la edad se hayan huido!
Falta la vida, asiste lo vivido,
y no hay calamidad que non me ronde.
Ayer se fue, mañana no hay llegado
hoy se está yendo sin parar un punto
Soy un fue, y un será, y un es cansado.
En el hoy mañana y ayer junto
pañales y mortaja, y he quedado
presentes sucesiones de difunto.
Luis de Gongora y Argote

quinta-feira, 11 de maio de 2006

Poesia I

O sereno costura pedaços de sono aos restos de noite...
tenores dividem o espaço com bichos,
tornam-se em grilos,
partem-se em escuridão...
A saudade da água esfria a alma,
a vontade torna líquidos os atos.
Sons de vozes desagradáveis dão-me falta do silêncio,
um jeito cuidadoso na fala me traz a atenção de volta...
Nesse momento parece que não sou eu
quem fala
e escreve.
[10/05/2006] Ontem, durante a aula de Barroco.

quarta-feira, 10 de maio de 2006

Coração mole

Cedinho, do Gama pro Plano Piloto. Entra o primeiro, ou melhor, os. Dois caras, ex-drogados, ex-viciados e essa coisa toda. Vendiam daqueles melzinhos que vêm em tira e curam tosse. É pra ajudar a casa de recuperação, moça. Vende uma aqui, alguém dá umas moedas ali, outros dão dinheiro mas não querem o mel (um absurdo. Se os caras estão lá vendendo uma coisa, o cidadão se acha mais cristão se der esmola?). Descem e vão.
Entra um cego, já velho e antigo conhecido de quem toma ônibus todo dia. Pede porque não há outro jeito, se nesse país idoso não tem vez, imagina se tem alguma deficiência. Prega um pouco, abençoa os que dão, outros nem ligam. Criaram resistência, ficaram indiferentes, vá-se saber. O velho desce.
Horário do almoço, Plano Piloto-Guará I. Sobe a mãe, com um piá nos braços, outros na barra da saia. Fica lá em pé sem dizer nada, fazendo uma cara de auto-piedade. Um minuto nessa e sobe uma criança de uns sete ou oito anos. A menina estava coberta de cicatrizes de queimadura, o corpo todo marcado. A bondosa da mãe coloca um bustiê na menina e uma micro-saia, e a bota pra pedir nos ônibus! A menina passa de cadeira em cadeira, enquanto a mãe fica lá com aquela cara. Vê que a menina não "arrecadou" lá grande coisa, e fala alguma coisa no sentido de que a gente tava faltando com a obrigação (de mantê-la lá nessa situação?).
A sociedade é responsável. Mas se eu der dinheiro, a mãe vai continuar sem trabalhar e explorando a filha, a situação física da filha. Revoltante. Minha vontade era de jogar a mulher do ônibus. Raiva, raiva, raiva. Afinal, a sem coração era a sociedade? E a parcela de culpa dela, que tratava a filha com aquela crueldade? O que fazer numa situação dessas? Eu, sinceramente, não sei. E foi ainda pensando nisso que eu voltei do trabalho, no fim da tarde.
Aí entra um cara vendendo chaveiros. Deu boa noite e falou que estava lá vendendo aqueles guéri-guéris pra pagar seus materiais de escola e a passagem. Tinha voltado a estudar depois de um tempo, fazia o ensino médio no Riacho Fundo, e ele mesmo tinha que bancar seus estudos. Não sei se com a desculpa de que minha irmã tem uns chaveiros que a levam pra escola (é tanto chaveiro dependurado que eu acho que quem sai são eles, e não ela), comprei um. Aí fiquei pensando: será que se ele tivesse repetido o discurso de "estar pedindo uma ajuda por necessidade, pois tem irmão doente em casa, a mãe tá hospitalizada..." eu ia comprar? Provavelmente não. Mas o diabo é que ele falou na escola, talvez tivesse até uma travo de sinceridade em sua fala.
E além de tudo, educação é coisa séria, rapaz!

quarta-feira, 3 de maio de 2006

CAMISETAS

Primeiro foi a vermelha com a estampa do Che Guevara, agora é a vez da Anita Garibaldi virar uniforme (vai se saber por que o ALUB faz isso). Sem contar outras tantas grifes que ganham dinheiro em cima de imagens que viraram cliche. Deve ser porque virou mesmo clichê, daqui a pouco até Tupac Amaru entra na dança. Ser socialista, tanto quanto usar imagem de revolucionários na camiseta, tá na moda. E vende muito.

quarta-feira, 26 de abril de 2006

GENTE CHATA

-Boa tarde, eu sou a Tatiana da Crédito Pré-Aprovado da ABC. Com quem eu falo?
...
-"A BrasilTelecom agradece sua ligação. No momento, todos os nossos atendentes estão ocupados, por favor aguarde."
...
(Numa loja de celular, ao meio-dia d'um domingo)
-Olha, colega, esse plano aí queridinha é só praqueles tipos de aparelho ali. Mas se você quiser, colega, a gente podemos te mostrar outros, meu bem.
...
-Porque tinha que tirar a literatura do curso de Letras mermo. Meu negócio é gramática. Até essa porcaria aí dessa lingüística podia tirar também.
...
-Eu não gosto de filosofia. Essa história de "quem nasceu primeiro o ovo ou a galinha" é uma chatice.
...
-Ah, esse seu sapato é igual ao da fulana da novela.
...
-Não, agora a gente não tá atendendo. Você pode vir amanhã de manhã? Mas vem antes das onze, é melhor (...)
...
-Esse presidente só pensa em pobre. Ele não lembra que foi a elite financeira que levou esse país pra frente até hoje.
...
-Professor só serve pra transformar essa cambada de burro num monte de petista idiota.
...
- Ah! Queridíssimas, lindíssimas, pulcríssimas, estou por demasiado contente em reencontrá-las após esse longo período de greve. Ah, chiquerésima, te mostrei o livro que eu me estapeei na livraria pra conseguir? O acontecido me arqueou sobremaneira...

HE-MAN

Que atire a primeira castanhola quem não pensou nele uma vez sequer durante as últimas três semanas.
Pare e preste atenção: você ouviu o nome dele pelo menos duas vezes ao dia durante duas semanas e viu -durante cinco dias- uma fila de desesperados querendo ao menos cinco minutos a sós com ele. Ele monopoliza as atenções e os pensamentos durante o período de matrículas (e as vagas também). Ele faz você esquecer tudo que tem pra fazer e ficar sentado horas a fio, esperando ansiosamente o minuto em que sua vez de sentar na frente dele e ouvir um "pois não" em sotaque hispânico chegue. Ele faz você sentir ódio profundo dele. Ele te faz inclusive ter vontade de substituir a barba e a voz grave por um par de coxas grossa e uma minissaia.
Há quem, ainda por cima, teve que ouvir das amigas histéicas uma mistura de palavrões e elogios em castellano àquele ser.
Diz aí: El Cordenador é ou não é THE MAN?

terça-feira, 18 de abril de 2006

Olimpíadas

CATEGORIA PESOS-PESADOS:
Modalidade: War
N° de Participantes: 2 (Sr. George W. Bush versus Planeta Terra)
Como jogar: da forma mais suja.

CATEGORIA PARTIDÁRIA:
Modalidade: Pugilismo
N° de Participantes: 3 (José Serra versus Geraldo Alckimim + Aliados)
Resultado do jogo: José Serra ganhava disparado até o último round. Alckimim (que deve ser alquimista) conseguiu ganhar a partida no último minuto.

CATEGORIA NACIONAL:
Modalidade: Qualquer coisa em que um taco de beisebol possa ser diplomaticamente arremessado na cabeça do oponente.
N° de Participantes: 2 (Senador C. Buarque versus Sr. C. Vigilante)
Resultado Parcial: Vigilante não se deixa abater (pelo menos aparentemente), apesar das pancadas que recebe em sua cabeça dura. C. Buarque acusa o adversário de tramóias e jogo sujo.

CATEGORIA BURITI:
Modalidade: Golfe
N° de Participantes: Vários. Mas nessa modalidade, é a esquerda autofágica contra ela mesma.
Observando o jogo: D. Arlete e Sr. Agnelo estão com seus respectivos tacos, mas não se sabe onde foram parar as bolinhas e os "buracos".

segunda-feira, 10 de abril de 2006

Mantenedores do Sistema

Quanto mais óbvio, menos provável. Há quem pense que morar em Brasília é, essencialmente, estar ligado à política. Ledo engano. Diria até ‘ledíssimo’, em homenagem a um conhecido, caso tal superlativo existisse. O brasiliense é por si só um ignorante político, e isso inclui estudantes, funcionários do governo, jornalistas. Teremos um exemplo disso se formos observar de quem é a dinastia que domina Brasília há tempos, qual o jornal mais popular e a revista de maior vendagem na capital. É preciso citar nomes?
Eu poderia até culpar a burguesia pelo fato, pois temos a maior concentração dela por metro quadrado do país (graças ao bom Deus o fato se deve a não termos tantos metros quadrados assim), mas me assusto a cada vez que constato que somos a nata da ignorância política e da falta de humanidade, por descaso ou até simplesmente por preguiça. Nos ônibus e nas ruas reinam as idéias reacionárias, do tipo “rouba, mas faz”, nas escolas professores insistem que sem dinheiro (muito) você não vai ser ninguém. Mães e pais pressionam adolescentes quando surgem concursos públicos como os da Câmara ou do Senado (o salário, meu filho, pense no salário). Mas quando o assunto é eleições, cada um dá seu jeito de sair de fininho. É um tal de “política não se discute” pra cá, uma história de “são todos iguais, as coisas não vão mudar” pra lá que até enjoa. Igualdade social? “Nunca”, dirão, “é utopia. Coisa de sonhadores, de quem não sabe ser prático”. Um nojo. Sim, pois a ignorância consentida enoja.
Mas por outro lado temos o que alguém chamou de “classe média comunista”. Esse é o tipo mais engraçado. É o filho de deputado tucano que usa camiseta do Che, os hippies universitários que desfilam na L2 de Honda Civic, e coisas desse tipo. Uma incoerência só.
E enquanto esses dois grandes grupos (os acomodados e os pseudo-engajados) vivem da sua autofagia, a miséria vai crescendo ao redor da capital. Invasão em cima de invasão, gente morando no lixão, a favela de Vicente Pires aumentando (inclusive suas aparições na mídia local), o crime se organizando e deputado vendendo a mãe pra não ter o nome envolvido em escândalos esse ano.
Brasília é um retrato saturado do restante do país. Aqui as coisas são mais evidentes, talvez por isso todo mundo aqui viva como se a situação fosse a mais normal possível. Não percebem o caos, não se comovem com a realidade alheia. Temos um governo criador de miseráveis. Quem foi que disse pra alguém que Brasília é um paraíso? Por que vêm pessoas dos confins do Goiás achando que, chegando aqui, por um passe de mágica vão conseguir um emprego público e apartamento na Asa Sul? Brasília não dá mais conta dos próprios filhos, e não se por de dar ao luxo de sair adotando mais gente. Não, não estou sendo fascista, longe de mim. O que acho é que devemos encarar o fato de que aqui ninguém quer dividir nada com ninguém. O cara que trabalha no Senado não quer que seu filho, tão bem educado no Galois, divida um banco de universidade com o filho do porteiro do prédio, quem dirá pensar no fato de que sua empregada possa vir a ser sua chefe no serviço público. Isso nunca! Alguém tem que evitar que o poder chegue às mãos de ex-empregados de fábricas e metalúrgicas, de professores ou estudantes. Vê lá se alguém quer deixar de comer em restaurantes caríssimos pra que algum outro infeliz possa vir a ter o arroz-com-feijão na mesa.
“Não, não”, pensam, “que eles se contentem com a própria sorte, porque nós já nos contentamos com a nossa”.
25/06/2006

segunda-feira, 27 de março de 2006

Dois pesos, várias medidas

Sr. W, 40 anos, solteiro, vê o filho de 15 em 15 dias, se o tempo ajudar. Tem carro e casa próprios. Nível superior e dezoito anos de carreira, seu salário líquido beira os R$ 12 mil.
F. da S., universitário, 21 anos, saiu da casa dos pais para estudar. Paga aluguel, anda de ônibus, mora com uns colegas numa república. Estagiário, se vira com o mínimo que recebe e com a ajuda que o pai, quando dá, lhe manda. Morre de saudades da mãe e da namorada quando o dinheiro não dá pra visitá-las no fim de semana.
J. dos S. P., pedreiro, 45 anos, mulher (lavadeira) e 5 filhos. Além de pedreiro, faz uns bicos na vizinhança. Três filhos menores de idade e um deficiente. Não sabe direito quanto tira por mês, só sabe que mal dá pra comida.
M. de L. F da S., manicure, mãe solteira, 28 anos. Vende "Avon" pras amigas pra completar o orçamento. Parou de estudar na 8ª série. Acorda às 5h30 pra pôr a casa em ordem antes de sair pro salão. Volta tarde da noite, assiste novela, arruma a casa e ainda brinca um pouco com as crianças. Quando muito, sua renda chega a R$ 600.
M. L., 19 anos, estudante. Tem dois empregos, totalizando 12 horas de trabalho por dia. Como sempre diz, "rala que nem uma condenada". Namora S. F., 22 anos. Ele, mora sozinho. Ela foge do pai quando este bebe e implica que a filha "é uma vagabunda".
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F. da S., comeu alguma coisa na rua, passou mal e ficou um dia de cama. Como não tinha atestado médico, perdeu uma prova e o estágio.
J. dos S. P. sofreu um acidente de trabalho e a mulher teve que arrumar mais roupa pra lavar e o filho mais velho largou a escola pra substituir o pai na obra.
A mãe de M. de L. F da S. ficou doente e ela teve que vender a televisão, a geladeira e os sofás (que tinha ganhado de uma antiga patroa) pra pagar o tratamento. Durante os três meses que durou esse inferno de ir-e-vir de hospital as crianças ficaram com uma vizinha porque não dava mais pra pagar a creche.
S.F, já de saco cheio de ver a namorada ser infernizada pelo pai, alugou um quarto-e-sala pros dois num lugar qualquer. Agora ele e M. L. se vêm menos que antes, pois agora ele também trabalha durante a noite.
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Sr.W., no dia do seu aniversário de 41 anos, de tanto reclamar do traballho, passou mal e por conta disso -"estresse"- ficou 6 meses de licença. Além dos R$12 mil por mês, recebe auxílio médico, totalizando um salário de R$ 15mil. Pra ficar em casa.

terça-feira, 21 de março de 2006

Besoura


Isso de deixar de fazer uma coisa, ou de falar algo, pela falta de certeza da reação do outro é quase uma prisão. E aqui a falta de certeza é diferente da incerteza. Não sei diferente como, mas é. Mas às vezes a gente faz umas coisas que não sabe porquê. Esses dias mesmo me peguei andando pelo subsolo do bloco A do ICC só pra não encontrar ninguém. Fujo corredor a fora só pra não encontrar um conhecido e engatar uma conversa chata que vai durar horas (e sei que o ser humano tem um prazer sádico por esse tipo de conversa. Ela não leva à lugar algum, nenhum dos participantes gosta dela e não se sabe por que cargas d'água não inventam uma desculpa qualquer pra cair fora). Ultimamente não tenho tido muito saco pra gente. Posso ficar uma hora inteira ao lado de um amigo sem falar uma palavra sequer. Que bom que a maioria entende. Quanto mais uma atitude dessas vinda de mim, que falo que nem uma condenada. Pode ser até um mecanismo da minha mente adoecida e saturada por um fim de semestre em março e por uma vizinha que escuta Caly(xo)pso na maior das alturas no único dia da semana que eu fico em casa para me manter do lado de cá do sutil fio transparente que divide a insanidade da lucidez. Realmente deve ser isso, tomando-se por base que eu vinha falando demais, reclamando demais, chateando demais.n Não sei como não cheguei ao ponto do insuportavel (e, se cheguei, prefiro me manter ignorante quanto ao fato, pra que não tenha remorso). Descobri que eu pareço um besouro, daqueles que zunem e voam o tempo todo pra todos os lados, e quando não tem mais pra onde voar fica naquele movimento de vai-e-volta constante. Comecei a perceber isso um dia que fiquei esperando a chuva passar pra ir embora do lado de uma pessoa que mais parecia a estátua de Buda: primeiro porque não respondia pergunta nenhuma que eu lhe fazia, depois porque conseguiu ficar parado por incríveis dez minutos. Sem contar o sorrisinho enigmático. Depois fui fazer as contas, ao perceber que todos os meus copos de vidro haviam sumido, e vi que essa minha inquietação tinha me feito quebrar meia dúzia de copos em uma semana. Sem contar um sem-número de canetas perdidas, compromissos esquecidos (não obstante eu ter comprado uma agenda. Até porque eu a esqueço em todo lugar que vou), guarda-chuvas deixados em todo lugar, a bagunça do meu armário, os afazeres deixados pela metade. Meu quadro é clínico. Não sei se tudo isso é dispersão, falta de disciplina ou ansiedade. Ou pode ser tão somente cansaço.

Ou não.

segunda-feira, 6 de março de 2006

Enquanto espero...

Um dia desses eu comentei com alguém que o que importa pra mim é a caminhada, e não exatamente o ponto onde devo chegar. Literalmente. Tanto que, muitas vezes, não faço o que sair pra fazer porque achei outra coisa mais interessante para fazer no caminho. Enquanto caminho encontro pessoas, coisas, cartazes. Paro, olho, observo, corro, volto. É sempre assim. Sempre que possível prefiro ir caminhando aos lugares.
O meu grande problema era com a espera. Apesar de (quase) sempre chegar atrasada aos lugares (todos), meu dia acabava se eu tivesse que esperar por algo ou alguém. Assim mesmo, esse exagero todo. Até que comecei a pensar se essa minha mania horrorosa de chegar atrasada não era uma fuga ao fato de por ventura ter que esperar -nossa mente cria essas neuras absurdas. Ainda não cheguei a uma resposta, assim como ainda não me disciplinei a chegar sempre na hora. Mas agora procuro me distrair com outras coisas. Ler enquanto espero o ônibus, observar as pessoas enquanto espero minha vez na fila. É um barato, principalmente quando o humor coopera.
Hoje enquanto esperava pra usar o laboratório na UnB, fiquei prestando atenção à música que rolava no Centro Acadêmico ao lado... o bom e velho Dylan, aquelas pessoas passando, algumas reações, sorrisos e encontros. O tempo não passou mais rápido, mas não o perdi também. Me surgiram até algumas idéias, alguns ângulos para fotos.
Ainda bem que não tenho uma máquina fotográfica, porque senão lá vinha outra neura...

Vai-e-Volta

Quando comecei esse blog aqui, pensei que não o levaria muito a sério. Na realidade, pensei que ninguém o levaria a sério. Pois bem, comecei a escrever pra não acabar falando sozinha, e também pra dar vida àquela papelada (real e virtual) que eu estava acumulando. O problema está em eu não conseguir postar textos/ artigos/ poemas ou nada que eu tenha escrito antes. Até tentei, como "P...O quê??", mas é muito estranho, não dá vontade de colar texto antigo e sim de escrever coisas novas.
Deu-se que, uns dias atrás, recebi por e-mail um texto meu, publicado aqui no blog, que alguém copiou e mandou por e-mail pra mais alguém, que encaminhou pra mais uns outros, e foi nessa coisa de internet até chegar... a mim! Achei muito legal, muito interessante mesmo. Não esperava que isso viesse a acontecer. Outra coisa interessante que vem acontecendo é sobre os comments. Todos muito bem pensados, muito bem escritos. O legal é que a maioria das pessoas que lê alguma coisa aqui no pornopolítica manda sua opinião pra mim por e-mail, gerando assim discussões interessantíssimas.
Aí, pra inchar mais o ego-sum, fui no orkut de um amigo hoje deixar-lhe um recado e ele tinha colocado no "about me" dele um texto desta amadora que vos fala... amigo é amigo, né?
E por falar nisso, olha ele aqui no MSN. Beijo, Michel!

sexta-feira, 3 de março de 2006

De Casaca Não!

Eu fico feliz quando vejo os telejornais darem uma importância tremenda num assunto tão tosco. É prova de que a democracia pode existir sim: a TV passa o que a maioria quer ver. Aham, é a população que escolhe a programação diária. E os donos de emissoras levam a sério, e muito, a opinião do público. O povo quer baixaria, a baixaria tá lá. O povo quer desgraça, é o que não falta nos telejornais. O povo quer se manter na ignorância, a TV se esmera em mantê-lo lá. O povo quer não se preocupar com assuntos sérios, o Casseta&Planeta tá lá, pra transformar tudo em piadas batidas, principalmente a política (onde só mudam os personagens, as piadas e clichês são e-xa-ta-men-te os mesmos).
Quem foi que disse que novela é distração? Quem disse que Casseta&Planeta faz crítica política? Quem disse que Big Brother é entretenimento? E quem disse que telejornalismo é coisa séria?
Hoje de manhã eu ouvia a um jornal da globo, onde -por incrível que pareça- eles dedicaram um quadro todinho para explicar o que era um traje de gala, a diferença entre black-tie e white-tie, o que era uma "festa de gala" e a importância enorme que tinha o fato do presidente e a comissão que vai com ele à Inglaterra não terem aceitado ir ao jantar de gala.... em traje de gala!
Ah, faça-me o favor. Depois ainda reclamam que tem canal que reprisa desenho animado de mil novecentos e setenta e todos às 7h da manhã. É para uma hora dessas, onde tudo que você quer com o café é alguma coisa inteligente.

quarta-feira, 1 de março de 2006

Carnavais, Malandros e Heróis: Feliz 2006

Sim, o título é copiado, mas em parte. Esse é um livro*, por sinal muito bom, do antropólogo Roberto Damatta, da Universidade Federal do Rio. Me apropriei dele, porque uma coisa é incontestável: o país só começa depois do carnaval. É como se ele fosse o finzinho das férias e festas de fim-de-ano. O fim do descanso e o começo da labuta. O país começa feliz e radiante, descansado, de alma lavada. Ou, como diria o poeta, "depois do carnaval a carne é algo mortal, com multa de avançar sinal".
Essa é uma das características do país do futebol. Juntamente com a típica alegria e hospitalidade do habitante da Terra Brasilis, a Lei de Gerson é uma coisa quase genética aqui pelo sul do Equador (ou seria os fundos da América Latina?). Lógico que o chefe vai desculpar você só ter dado a cara no trabalho hoje de manhã (Que isso, chefia? Não me diga que era sério aquele papo de feriado até o meio-dia?), sua mulher não vai nem ligar para o fato de ter estragado o feriado dela no fogão ou levando a criançada de matinê em matinê, enquanto o bonito do marido nem deu as caras em casa cinco dias seguido (ou ficou em casa comendo e bebendo com os amigos os cinco dias, fato responsável pela patroa ter esquentado a barriga no fogão esses dias todos) e o DETRAN não vai mesmo mandar aquela multa por excesso (não só) de velocidade. Nãão. Em tudo dá-se um jeito.
Escolas de samba transformam seus reais em fantasias (literalmente), os turistas se amontoam, principalmente no Rio. As pessoas sorriem, se abraçam, fazem amor e folia.
Mas de uma coisa ninguém lembra: nem tudo é mágica no carnaval. A criança desamparada continuou desamparada, a mãe sem recursos continuou sem recursos. Políticos continuaram ganhando muito para não fazerem (quase) nada. Dona de casa continuou pagando caro(íssimo) pela passagem de ônibus pra dormir no hospital -longe de casa- com o marido ou filho doente.
Tem gente que não acha graça nenhuma nessa realidade, principal que convive com ela diariamente.
Será que pra isso tem "jeitinho"? E será quando que o Brasil vai começar pra essa gente?



*"Carnavais, Malandros & Heróis", Editora Rocco

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

"Ser marginal foi uma decisão poética" (1989)

Foto: Cazuza (divulgação do disco 'Ideologia', 1988)

domingo, 19 de fevereiro de 2006

It's only rock n'roll (but I like it)


Sobre "o" show de ontem?
Tan solo uma declaração a fazer: essas bandinhas que aparecem por aí têm ainda muuita coisa a aprender.
Do it?

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

Das coisas que começam num repente e se estendem

Hoje acordei com o sol brilhando, às 6h30 da manhã. Desde cedo o dia estava quente, e houve até uma proposta de vento fresco na minha cortina. O tempo parecia se deixar levar calma e lentamente, e o trânsito que começava parecia seguir o mesmo ritmo da manhã: aquela calmaria, apesar do tempo quente. A sexta-feira se estendia ao sol, se deixava aquecer, descansava.
Contrastando com tudo isso, minha metereologia interna. Eu me aborrecia desde já com tudo aquilo, apesar de saber estar o dia belo. Deixei de lado, com um certo enfado, o terno e a gravata. Foi com enfado também que tomei o café da manhã. Tudo que eu queria estava ali, e eu não queria mais nada. A facilidade com que me preparei para sair não me estancava o humor, que já estava se tornando péssimo. Assim, sem motivo, eu estava estranho a mim, e deixava este outro eu começar um lindo dia pessimamente. Assim, sem motivo, eu me aborrecia com tudo, e me aborrecia com esse outro que era eu. E assim, sem saber, eu não o controlava.
E como que por castigo, o trânsito me deixou exposto a sol, ao tempo e às pessoas que atravessam a avenida, apressadas. Algumas sorriam, outras simplesmente andavam. E eu ali, amargo. Cada minuto que eu me mantinha naquele tráfego travado me irritava mais, pois tinha que suportar aquele outro que nada suportava, pois tinha que me suportar.
Decidido a não deixar que nada mais fugisse da minha vontade, que nada mais acontecesse sem que eu quisesse (decidido a me deixar levar por eu-outro), entrei apressado na repartição. E foi ali que, indo contra todas as minhas resoluções mal-humoradas da manhã, indo de afronta à minha vontade, à mim mesmo e ao outro, eu a vi. Ali, parada, de vermelho. Mas porque diabos ela foi vir de vermelho? Só o fato de ela estar ali, parada de vermelho, vivendo outra coisa que não a minha exasperação, sentindo outra coisa que não o amargo de mim, fazia crescer a minha indignação.
Ela não me via. Ou melhor, me via, mas para ela isso não fazia diferença nenhuma. Como não deveria fazer para mim também. Mas, porque fazia? Porque o fato dela ser algo totalmente externo a trazia com mais força para dentro da minha cabeça? Eu a via ali todos os dias, já tínhamos nos encontrado nos corredores e em reuniões, mas pra mim isso não fazia tanta diferença. Só começou a fazer um dia que eu a descobri totalmente alheia a mim. Quando eu descobri que para ela eu era só mais um colega de trabalho, mais um chefe de alguém que aparecia e que mais tarde iria embora, sem deixar vestígio nem lembrança. E como essa indiferença (pois para ela eu e todos os outros éramos uma coisa só: o outro que não ela. Ela não pensava em mim.) era natural nela! Como para ela era simples não me ver!
E tudo isso não me inquietava. Mas agora, hoje, e não sei porquê, aquela mulher de vermelho me inquietava totalmente, aquele universo que não o meu me intrigava, e me irritava de alguma forma. Foi aí que me subiu uma ânsia de ser visto, ser notado por ela. Não como "outro", mas eu. Mas para ela não faria tanta diferença. Ela não notaria que hoje eu não estava de terno e gravata, ela não notaria que não fiz a barba. Não notaria que a minha estranha irritação contrastava em tudo com aquela blusa vermelha, com aquele ar que ela tinha. E de repente eu percebi que eu não poderia contar-lhe como foi a minha manhã, não poderia ligar-lhe para nos encontrarmos antes do jantar. E comecei a sentir uma falta imensa daquela presença que eu nunca tive. E tudo isso ao mesmo tempo me irritava e me entristecia. E naquela hora eu soube que ela estaria em mim ainda por um longo tempo...
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"Eu não sou eu, nem sou o outro.
Sou qualquer coisa de intermédio
Pilar da ponte do tédio-
que vai de mim para o outro
Mário de Sá-Carneiro"

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006

Moça com brinco de pérola

É impressionante como alguns detalhes dão toda a diferença... alguns deles fazem com que aquela pessoa que parece tão comum, tão "normalzinha", de repente ganhe um contorno, um recorte. Nas moças é mais fácil encontrar esses detalhes. Um brinco, o jeito de jogar o cabelo, uma pulseirinha no pé. Quando se trata dos moçoilos, a tarefa é mais difícil (e talvez por isso mesmo mais prazerosa). É que eles têm aquela mania de andar iguais, sei lá. Alguns parecem que só muda a cor.
Mas é aí que, olhando meio de esguelha, se percebe uma pulseira charmosinha, ou um cordão por dentro da gola da camisa, uma sombra de tatuagem por baixo da camiseta branca. Ou o jeito que olha cada vez que alguém passa perto, ou como põe as mãos nos bolsos. São esses detalhes, ou mesmos esses gestos espontâneos, que nos mostram alguma coisa que poucas pessoas vêem. São essas mínimas coisas -o jeito de olhar, de falar, de escolher, de guardar silêncio, de dizer "não sei", o jeito como se veste, como usa o cabelo- que diferenciam um ser humanos de bilhões de outros no mundo.
Há detalhes que se percebe também naquela pessoa que está só de passagem, ou que está na sua frente na fila do banco, ou em qualquer outro lugar. De alguma forma a gente "dialoga" com aquele ângulo descoberto no outro, nem que seja por pouquissimo tempo. E ficamos com aquela impressão guardada em nós.
Em todas as nossas relações vivemos essas descobertas quase que diariamente. Descobrimos no nosso outro coisas que o tornam cada vez mais peculiar, e podemos nos deixar surpreender por essas nuances.
Ou podemos nos fazer indiferentes a todo esse universo que se nos mostra. A gente é quem escolhe.

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Figura: Moça com Brinco de Pérola, Johannes 'Jan' Vermeer (1632-1675)

Espreme sai-sangue

I'm shocked.
Primeiro, aquele jornalzim de extremo mal gosto, o tal de "Na polícia e nas ruas". Matérias horríveis, fotos, então, nem se fala. Tudo pra no fim das contas servir tan solo pra saciar o desejo de sangue de fatalidade do povo. E ainda se auto-intitulam "polêmicos". Polêmico é discutir uso de pílula em grupo de igreja, polêmica é discutir aumento da gasolina. Isso tudo é mau gosto, isso sim. Palavra que ninguém é obrigado a entrar num ônibus lotado (ave viplan), num calor imoral, depois de um longo dia de trabalho e ter que ver uma capa de jornal daquelas. Mas o pior, choquem-se vocês, é que o jornal vende que nem água! Me disse a moça do jornaleiro que tá vendendo mais na rodoviária do Plano que revista de fofoca. Madre Santa.
Agora, a segunda parte. Entro eu -terça-feira, meio-dia, azul de cansaço- no 110 (linha Rodoviária do plano- UnB) e me deparo com uma matéria de capa (não lembro se Correio ou Jornal do Brasil): Bebê de oito meses é assassinado à facadas. Puta que pariu. O susto foi tão grande que eu fiquei ali, na roleta, parada que nem um dois-de-paus, olhando por cima dos ombros da menina que lia o jornal. Minha cara devia estar tão estranha, ou eu fiquei tanto tempo parada olhando praquilo, que o cobrador bateu de leve no ferro e fez 'psiu'. Pisquei, tentei sorrir e fui pra trás. Abismada. Assustada. O pior de tudo é que parece que foi a mãe da criança, uma garota de 17 anos, quem fez isso. Agora me diz: alguém pode viver sossegado se toda hora essas coisas são jogadas na nossa cara? Será que a realidade já não é dura demais pra gente não procurar pensar e fazer diferente? Não devemos fingir que tudo isso não existe -assassinatos, a fome, a violência em geral. Mas será que precisamos realmente dessa massificação? Anthony, o Garotinho, disse que a violência do Rio de Janeiro quem faz é a Globo. Não, de forma alguma. A violência existe sim. E existe no menino que vende bala no sinal, na garotinha que deixa de estudar pra pedir nos ônibus, na mãe de família que pari um filho atrás do outro, e dá um filho atrás do outro que nem bicho, por não ter condições de criá-los. Não é só no morro, não é só nas satélites. Mas essa massificação acaba deixando aquele mal-estar, acaba pesando o ar. Ninguém precisa ficar pensando em morte o tempo todo. Falar em violência desgasta qualquer um.
E sei lá... nessa política do Pão&Circo que a mídia aqui vive, nessa coisa de juntar futebol e eleições... será até que ponto a violência é mostrada por ela só? Se o cara pensa em futebol e assassinatos, não vai ter muito tempo pra pensar em política, vai?

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"os três poderes são um só: o deles." Nicolas Behr